Um motorista de aplicativo foi indiciado por homicídio doloso com excesso após matar dois passageiros em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. O incidente ocorreu na madrugada de 1º de fevereiro de 2026, e o inquérito foi concluído nesta terça-feira, 17 de março de 2026.
As vítimas foram identificadas como Adriano Lima dos Santos e Jeferson Lima dos Santos. O motorista, cuja identidade não foi divulgada, também responderá por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
De acordo com a Polícia Civil do Paraná (PCPR), o motorista estava transportando os dois homens e uma mulher quando, após o término da corrida, retornou ao local para devolver uma bolsa esquecida no carro. Nesse momento, ocorreu um desentendimento. O motorista alegou que chamou a atenção dos passageiros por causa de cerveja derramada no veículo.
Segundo o relato do motorista, dois dos passageiros estavam armados e um deles tentou sacar a arma durante a discussão, momento em que ele disparou. Imagens de câmeras de segurança registraram parte da confusão, mostrando cerca de um minuto de discussão antes do confronto físico.
As imagens mostram o motorista, vestido com calça clara e camiseta escura, em luta corporal com os dois passageiros. Ele atira contra Jeferson, que cai no chão, e em seguida dispara contra Adriano. A polícia informou que parte dos tiros foi realizada após a agressão ter cessado, caracterizando excesso.
Durante a investigação, foi constatado que um dos passageiros estava armado com um revólver calibre .22 e o outro portava uma faca. A análise das imagens e laudos periciais indicou que, em relação a Jeferson, o motorista agiu em legítima defesa, mas em relação a Adriano, houve excesso.
O laudo de necropsia apontou que a morte foi causada por hemorragia interna provocada pelos disparos. O delegado Anderson Andrei Grosso afirmou: “Ele agiu, em relação a uma das vítimas, em legítima defesa, porém, em relação à outra, ele acaba excedendo nos disparos, efetuando tiros desnecessários logo após cessada a agressão.”
Duas armas de fogo e uma faca foram apreendidas durante a ocorrência. A pistola calibre 9 mm utilizada pelo motorista estava registrada em seu nome, mas ele não tinha autorização para portar a arma. O motorista responde ao processo em liberdade.
A defesa do motorista informou que as imagens do caso “demonstram a dinâmica do crime” e que sustentará a tese de legítima defesa ao longo do processo. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se apresenta denúncia à Justiça ou solicita novas diligências.


