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Motorista que atropelou paratleta em Manaus tem prisão preventiva decretada

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O motorista suspeito de atropelar a paratleta Marleide Sales da Silva, de 52 anos, teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva após audiência de custódia no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). O acidente ocorreu no domingo, dia 8 de março de 2026, durante uma corrida de rua em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, em Manaus.

Marleide foi atingida no cruzamento da Avenida João Valério com a Avenida Maceió, no bairro Adrianópolis. Ela foi surpreendida pelo carro que, mesmo com a sinalização e orientação de agentes de trânsito para que parasse, invadiu o percurso e a atingiu.

O TJAM informou que, após a audiência de custódia e cumpridas as formalidades legais, a prisão foi mantida conforme o Código de Processo Penal. No dia do atropelamento, a defesa do motorista esteve na delegacia, mas não se manifestou após ser procurada pela reportagem.

Em entrevista exclusiva, Marleide compartilhou detalhes sobre o acidente. Ela, que conquistou o ouro na edição de 2025 da São Silvestre na categoria PCD feminino, disse que estava feliz após dar a largada na frente de outros competidores. Ao passar pela Avenida Maceió, foi atingida por trás e desmaiou. “Ali eu perdi os sentidos e acordei já na ambulância. Alguém me contou que eu dei o celular, a senha e o nome da minha filha para alguém procurar e ligar pra ela, mas eu não lembro dessa parte. Eu só lembro dentro da ambulância, eles fazendo o atendimento ali,” relatou.

O impacto danificou totalmente a cadeira usada por Marleide para competir. Apesar dos danos materiais, ela acredita que o acidente poderia ter um desfecho trágico. “Foi um livramento de Deus porque se eu adiantasse um pouco mais ele tinha dado no meio da minha cadeira e provavelmente eu não estaria viva. Eu só chorava ali sentindo muita dor, eu estou sentindo dor ainda, mas estou sob efeito de remédios,” afirmou.

Marleide também sofreu fraturas nas duas clavículas e ferimentos pelo corpo. Ela foi encaminhada para o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, onde recebeu atendimento médico e foi liberada. A paratleta expressou sua preocupação com a recuperação, afirmando que, como cadeirante, depende dos braços para suas atividades diárias. “Eu não posso nem comer sozinha, não posso levantar a colher até a boca,” desabafou.

Enquanto se recupera, Marleide espera que a justiça seja feita. “Para que aquilo que aconteceu comigo hoje não aconteça com mais ninguém, a lei deve ser mais severa, deve ter punição. Eu espero que esse caso não passe em branco, que não seja mais uma estatística,” concluiu.

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