O Ministério Público de Goiás denunciou a empresa Hannover Tecnologia e Gestão Ambiental Ltda. e seu dirigente, Roberto Marconi Morale, por crime ambiental relacionado ao lixão de Planaltina, no Entorno do Distrito Federal. A denúncia foi aceita pela Justiça.
O promotor de Justiça José Soares Júnior, da 1ª Promotoria de Justiça de Planaltina, afirmou que a empresa e o gestor são acusados de provocar poluição ambiental em níveis que podem causar danos à saúde humana e ao meio ambiente. Entre os problemas identificados estão o lançamento irregular de resíduos líquidos, como o chorume, e a liberação de gases gerados pela decomposição de resíduos sólidos.
As irregularidades foram detectadas desde dezembro de 2017, e os efeitos da contaminação ainda são percebidos. O lixão funcionava próximo ao Setor Brasilinha 16, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central. O inquérito policial revelou que o local operava como um aterro sanitário, recebendo resíduos de Planaltina e do Distrito Federal.
Após uma parceria público-privada com a Prefeitura de Planaltina em 2012, o espaço passou a ser administrado com a proposta de se transformar em aterro sanitário. Contudo, o empreendimento funcionou sem licenciamento ambiental adequado e sem estudo prévio de impacto ambiental.
Relatórios de órgãos ambientais apontaram diversas irregularidades, como acúmulo de chorume em áreas de aterramento e drenagem de águas pluviais. Técnicos identificaram o escoamento do líquido contaminado para fora da área do lixão. Uma perícia realizada após denúncia anônima indicou que parte do chorume estava sendo desviada por tubulações e despejada na vegetação do cerrado nas proximidades, percorrendo mais de 200 metros.
Os peritos alertaram que o material pode estar chegando a um curso d’água da região, possivelmente conectado ao Rio Maranhão. Para o Ministério Público, trata-se de um crime ambiental de caráter permanente, pois os impactos da poluição continuam sendo verificados ao longo dos anos.
Relatórios técnicos recentes indicam que ainda ocorrem episódios de extravasamento de chorume no local, com risco de contaminação de recursos hídricos. Na ação, o MP pede a condenação dos denunciados e a fixação de uma indenização mínima de R$ 10 milhões por danos ambientais e morais coletivos. Caso a Justiça acate o pedido, o valor deverá ser destinado ao Fundo Municipal de Meio Ambiente.
A reportagem entrou em contato com a Hannover Tecnologia e Gestão Ambiental Ltda., mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.


