O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 10 policiais militares por invadirem residências durante uma megaoperação no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, que resultou em 122 mortos em outubro do ano passado.
A operação se tornou a mais letal já registrada no Brasil. Os policiais denunciados pertencem ao Batalhão de Ações Com Cães (BAC) e incluem um subtenente, seis sargentos, um cabo e dois soldados.
Investigadores do MP suspeitam que a ação foi premeditada, uma vez que os agentes utilizaram ferramentas para abrir portas. Um vídeo de uma câmera corporal mostra um policial tentando abrir um portão com uma chave micha, enquanto outro policial questiona: “Tu conseguiu abrir esse portão ai?”. O agente responde que só conseguiu dar meia volta e, em seguida, pega um facão para entrar na casa.
O promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior afirmou que os policiais foram denunciados por violação de domicílio e negativa de obediência, referindo-se à tentativa de obstrução das câmeras corporais. “Ordinariamente ninguém pode entrar na casa de ninguém sem que haja uma ordem judicial”, explicou o promotor.
Durante a operação, pelo menos cinco dos 10 policiais envolvidos tentaram impedir o registro de suas ações. Um deles foi filmado tapando a lente da câmera, enquanto outro retirou a câmera do uniforme e a deixou no chão por cerca de três minutos.
O ministro do STF, Alexandre de Moraes, deu um prazo de 20 dias para que o Rio de Janeiro envie as imagens das câmeras da megaoperação. Um dos vídeos mostra policiais abrindo uma geladeira e consumindo bebidas de forma debochada enquanto invadiam uma casa na Vila Cruzeiro.
Outro vídeo revela um policial saindo de uma residência com objetos enrolados em um cobertor, cuja natureza ainda é desconhecida pelos investigadores. Durante as investigações, a maioria dos policiais permaneceu em silêncio, e aqueles que falaram não conseguiram justificar o uso da chave micha para entrar nas casas.
A Polícia Militar afirmou que a Corregedoria-Geral da corporação iniciou a investigação e que os indiciados foram encaminhados ao Ministério Público. A corporação aguarda a decisão da justiça sobre as medidas a serem adotadas.


