A Mpox, doença que já contabiliza 88 casos confirmados no Brasil em 2026, gera muitas dúvidas entre a população. Perguntas como ‘Mpox mata?’, ‘Mpox pega pelo ar?’ e ‘Saliva transmite?’ estão entre as mais buscadas no Google. Para esclarecer essas questões, especialistas foram consultados.
A Mpox pode evoluir para formas graves, mas é considerada de baixo risco para a população em geral. ‘Pode matar, sim, mas isso é raro. Hoje, para a população em geral, o risco é considerado baixo’, afirma Álvaro Costa, médico infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e consultor técnico do Ministério da Saúde. Casos mais graves ocorrem principalmente em pessoas com imunidade comprometida, como pacientes com HIV sem tratamento adequado e transplantados.
As taxas de letalidade observadas nos surtos globais mais recentes têm sido baixas, geralmente abaixo de 1%. ‘Para a maioria das pessoas, o quadro é leve a moderado e se resolve sem complicações’, explica Marcos Vinicius Borges, infectologista da SBI.
Quanto à transmissão, a Mpox não é transmitida pelo ar como o sarampo. A principal forma de contágio é o contato direto com lesões de pele ou secreções de uma pessoa infectada. A transmissão por gotículas respiratórias ocorre, mas exige contato próximo e prolongado. ‘Não é uma doença altamente transmissível pelo ar’, diz Costa.
Sobre a saliva, o vírus já foi identificado nela e pode estar presente em lesões na boca. ‘O beijo envolve proximidade intensa e contato de mucosas. Se houver lesões ativas, o risco existe’, explica Borges. Portanto, é recomendado evitar esse tipo de contato se houver sintomas ou feridas suspeitas.
A Mpox não é classificada como uma infecção sexualmente transmissível clássica, mas muitos casos ocorrem em contextos de contato íntimo. ‘O contato íntimo durante a relação sexual facilita muito a transmissão’, afirma Costa, ressaltando que qualquer pessoa pode se infectar se houver contato próximo com alguém doente.
Os primeiros sintomas da Mpox geralmente incluem febre, dor no corpo, dor de cabeça, cansaço e aumento dos gânglios. Após alguns dias, surgem lesões na pele que podem evoluir para pústulas e formar crostas. ‘Ao notar algo diferente na pele, especialmente associado à febre, vale procurar avaliação médica’, orienta Borges.
A confirmação da doença é feita por exame laboratorial, já que não há exame de sangue disponível. O quadro costuma durar entre duas e quatro semanas, e a transmissão pode ocorrer enquanto houver lesões ativas. ‘Só quando todas as crostas caem e a pele está completamente cicatrizada é que o risco de transmissão praticamente desaparece’, explica Costa.
O tratamento é, na maioria dos casos, de suporte, com controle da dor e cuidados locais. Existe um antiviral específico, o tecovirimat, indicado para situações mais graves. ‘Ele é usado de forma criteriosa. Não é necessário para todos os casos’, afirma Borges.
A vacina contra a Mpox não está disponível para a população em geral, sendo direcionada a grupos prioritários, como pessoas vivendo com HIV com imunidade baixa e trabalhadores de laboratório que manipulam o vírus. ‘A estratégia é proteger quem tem maior risco de complicação ou maior risco de exposição’, explica Borges.

