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MRV projeta crescimento consistente com Minha Casa Minha Vida, afirma CFO

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A MRV&Co está intensificando sua atuação no programa Minha Casa Minha Vida, com cerca de 95% de seus empreendimentos concentrados nesta modalidade habitacional. A informação foi revelada por Ricardo Paixão, CFO da companhia, durante entrevista sobre os negócios da incorporadora no Brasil.

“A gente tem visto um cenário macro muito bom, com o Minha Casa e Minha Vida funcionando super bem, com parâmetros sendo revisados de forma constante, de forma recorrente”, afirma Paixão, que projeta um crescimento consistente.

Segundo Paixão, enquanto as subsidiárias do grupo sofrem impacto direto das altas taxas de juros, o core business da MRV permanece relativamente protegido da elevada Selic de 15% ao ano. “A principal fonte de financiamento responsável por quase a totalidade do nosso funding é o FGTS [Fundo Garantidor por Tempo de Serviço]. E o FGTS não sofre alterações relevantes do seu custo com uma queda ou com uma subida de Selic”, explicou.

As duas subsidiárias da MRV&Co – a loteadora Urbe e a empresa de aluguel Luggo – apresentam dinâmicas diferentes. A Urbe passou por um ciclo importante de recuperação no último ano, com incremento nas vendas e reversão do prejuízo para um lucro de aproximadamente R$ 20 milhões. “A Urbe vai continuar crescendo num ritmo que não necessite de capital externo. Não tem aporte de capital da MRV na Urbe. Ela tem conseguido se financiar através de sessões de recebíveis”, afirmou Paixão.

Já a Luggo, focada em empreendimentos para locação, possui três projetos concluídos avaliados em cerca de R$ 170 milhões a R$ 180 milhões. Sua expansão, no entanto, depende mais diretamente da queda nas taxas de juros ou da expectativa de redução, que aumentaria a atratividade desses ativos para investidores.

Um diferencial destacado pelo CFO é a capacidade da empresa de intercambiar projetos entre suas unidades de negócio. “A gente consegue intercambiar terrenos e projetos entre Luggo e MRV em corporação. Porque o corpo do prédio, a estrutura do prédio é a mesma. O que muda só é o cliente final”, destacou.

Para os empreendimentos da Luggo, a empresa tem adotado uma estratégia mista de locação, combinando contratos de curta (short stay) e longa duração (long stay). “A gente consegue uma previsibilidade de fluxo de caixa boa com uma parte do portfólio ficando dentro dos ativos alugados de longo prazo, mas, ao mesmo tempo, dando uma apimentada na rentabilidade dos projetos através de diárias mais curtas”, explicou Paixão.

O cenário macroeconômico atual apresenta aspectos positivos para o segmento de habitação popular, como a baixa taxa de desemprego, que contribui para a sustentabilidade do funding do FGTS. “A gente tem boa parte da equação da habitação popular no Brasil hoje em um nível muito bom, que seriam os programas habitacionais, a demanda, a capacidade de compra do cliente”, concluiu o executivo.

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