A Câmara Municipal de São Paulo aprovou na quarta-feira (11) um projeto de lei que propõe a alteração do nome da Rua Peixoto Gomide, localizada nos bairros Bela Vista e Jardim Paulista, para Rua Sophia Gomide, em homenagem à filha do político.
Peixoto Gomide, advogado e político influente no início do século XX, é amplamente conhecido em Itapetininga (SP), onde tem seu nome em uma das principais vias, além de uma escola centenária e uma praça com seu busto. No entanto, sua história inclui um trágico episódio familiar, onde ele matou sua filha, Sophia, em 1906, por não aceitar seu noivado com um promotor público.
O projeto de lei é de autoria das vereadoras Silvia Ferraro, da Bancada Feminista (PSOL), e Luna Zarattini (PT). A proposta visa promover uma reparação histórica e dar dignidade à memória de Sophia, que foi silenciada pela ação do pai.
O crime ocorreu em 20 de janeiro de 1906, quando Peixoto Gomide, em desespero pela recusa ao noivado da filha, a matou e, em seguida, cometeu suicídio. O caso teve grande repercussão na sociedade paulista da época, com muitos comparecendo ao enterro de Sophia no Cemitério da Consolação.
Após a tragédia, uma comissão em Itapetininga foi formada para homenagear Peixoto, resultando na criação da Escola Complementar Dr. Peixoto Gomide, uma das instituições de ensino mais tradicionais da cidade.
As vereadoras justificaram a mudança do nome da rua como uma forma de reconhecer a história de Sophia, que foi esquecida. Thais Maria Souto Vieira, mestre em estudos culturais, destacou a importância do debate sobre a mudança de nomes de ruas, considerando que a forma como a morte de Sophia ocorreu a classifica como um feminicídio.
A Escola Estadual Peixoto Gomide, fundada em 1894, é uma das mais antigas do Estado de São Paulo e recebeu oficialmente o nome do político em 1922, em homenagem à sua contribuição para a educação e o desenvolvimento do Estado.

