A mudança na concessão dos serviços de abastecimento de água e esgoto em Fernando de Noronha gera preocupação entre os moradores. Atualmente, esses serviços são prestados pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Os residentes temem um possível aumento nas contas e questionam a base populacional considerada para a prestação do serviço.
O presidente da Assembleia Popular Noronhense (APN), Nino Lehnemann, destacou que a população estimada não reflete a realidade da ilha. Ele afirmou:
““Essa mudança nos preocupa. Os relatórios indicam que a ilha tem menos de 3.500 habitantes, com isso a base de custo não considera o número real de moradores e a população flutuante, que é muito maior.””
De acordo com o Censo de 2022, Fernando de Noronha possui 3.167 moradores, número inferior ao total de pessoas abastecidas atualmente. A Compesa atende cerca de 1.200 clientes, incluindo residências, comércios, pousadas e alojamentos, totalizando aproximadamente 10 mil pessoas, entre moradores e turistas.
Lehnemann também expressou preocupação com um possível aumento nas tarifas:
““Não há garantia de que não haverá reajuste. Queremos entender como será a transição e quais investimentos estão previstos.””
O presidente do Conselho Distrital, Milton Luna, também se manifestou sobre as mudanças, afirmando que procurará os deputados que aprovaram o projeto e o governo do estado para buscar garantias de que as contas não aumentarão, já que os moradores enfrentam custos altos no dia a dia.
O governo de Pernambuco, em nota, informou que os serviços de água e esgoto serão regulados e fiscalizados pela Agência Reguladora de Pernambuco (Arpe). A Compesa continuará responsável pela produção e tratamento de água no estado e realizará investimentos em segurança hídrica. A previsão é universalizar os serviços até 2033, com R$ 19,1 bilhões em investimentos pelas concessionárias e R$ 4,2 bilhões em outorgas.
O processo de licitação do Bloco 2, que inclui Fernando de Noronha, foi homologado em 31 de janeiro de 2026, e a assinatura do contrato deve ocorrer em até 60 dias. A operação começará após um período de transição de seis meses, previsto para o segundo semestre de 2026. A concessão abrange toda a população da ilha, com previsão de universalização dos serviços de água e esgoto até 2031, com investimentos de R$ 89,3 milhões.
A estrutura tarifária atual da Compesa será mantida, incluindo a tarifa social, e está previsto um desconto de 5% sobre os valores atuais. Os reajustes seguirão os índices de inflação e só poderão ser aplicados com autorização da Arpe.


