No primeiro dia útil da segunda fase do novo sistema de transporte coletivo em Presidente Prudente (SP), passageiros enfrentaram atrasos e muitas dúvidas. Desde domingo (15), sete linhas tradicionais deixaram de circular, dando lugar a 11 novos itinerários que alteram a forma como moradores das zonas leste, oeste e norte chegam ao Centro.
Com o novo modelo, muitos ônibus deixaram de ir direto para o Centro, passando a circular dentro dos bairros para levar os usuários até estações, onde devem fazer integração com as Linhas Expressas.
A principal reclamação de quem passou pelo Terminal Central e pelas estações de bairro nesta segunda-feira (16) foi a dificuldade em entender as integrações. “Horrível, horrível. Eu estou acostumada a pegar o ‘Maré Mansa’ e ir direto para a Unesp, e agora disseram que eu tinha que vir para o Centro pegar outro”, relatou a moradora Evanirce Ortega.
Outra passageira, Vera Lúcia Valério dos Santos, disse que ainda não conseguiu entender como será o trajeto. “Falam que é para a gente pegar a Lagoa dos Patos, ir ao Museu e depois pegar o destino, mas como eu desço no Centro eu nem sei como a gente vai pegar o ônibus nem para voltar”, afirmou.
A equipe de reportagem acompanhou, nesta segunda-feira (16), o trajeto de uma das linhas expressas entre a Praça Monsenhor Sarrion e o Terminal Urbano. O ônibus estava com poucos passageiros, pois muitos ainda não sabem como acessar os novos itinerários nem como fazer a integração entre as linhas.
O morador Manoel Tudes da Silva contou que saiu de casa ainda de madrugada por receio de não conseguir chegar ao destino. “Está péssimo. Nem os motoristas sabem falar direito. Eu saí da minha casa 5h30 para ir para o HRE porque eu não sabia se passava ônibus”, relatou.
A doutora em Geografia, Paula Neumann Novack, explicou a importância da localização das linhas e como um sistema de transporte coletivo eficiente deve garantir a conexão entre diferentes regiões da cidade. “O transporte coletivo tem que ser equilibrado. Ele tem que atender todas as áreas da cidade, toda a população e fazer as conexões que são importantes”, disse.
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) informou que as dificuldades já eram esperadas neste primeiro momento de adaptação. O coordenador de transportes, José Ricardo Góes, afirmou que equipes foram posicionadas nos terminais para orientar os usuários. “Nós preparamos vários agentes para estarem no Centro da cidade, em outros terminais, exatamente no intuito de tirar as dúvidas dos usuários”, orientou.
O novo sistema foca na integração e visa tornar o transporte mais rápido, aumentando a oferta em bairros como o Vida Nova Pacaembu e Maré Mansa. O sistema passou a operar com três tipos de linhas: Linhas expressas, que circulam apenas entre os terminais; Linhas locais, que circulam dentro dos bairros; e Linhas tradicionais, que continuam operando com o modelo antigo.
As linhas que deixaram de circular incluem: 122 – Jardim Eldorado / Terminal Central; 123 – Parque Primavera / Arilena; 124 – Maré Mansa / Jardim Sumaré; 126 – Vale Verde / Terminal Central; 128 – Brasil Novo / Distrito Industrial / Cidade da Criança; 129 – Brasil Novo / Terceiro Milênio; 136 – Residencial Vida Nova / Terminal Via Imoplan.
As novas linhas e regiões atendidas incluem: A04B – Distrito Industrial; A05CB – Parque Furquim; B01 – Aeroporto; B02 – Cidade da Criança; C01 – Jardim Cambuci; C02 – Vida Nova; C04 – Terras do Imoplan; D01J – Cremonezi; E02 – Maré Mansa; E03 – III Milênio; G03E – Lagoa dos Patos.
O processo de modernização começou em 1º de janeiro de 2026, com a implantação das linhas expressas. A terceira e última fase das mudanças está prevista para começar no dia 29 de março.


