Fabiana Oliveira Barros Anjos, de 44 anos, se formou em massoterapia em 2025, após concluir um curso online de dois anos e meio. Ela e Daniela Cristina Santos Nunes, de 35 anos, são mulheres cegas que enfrentam desafios diários desde o nascimento e residem em Presidente Prudente, SP.
Durante o curso, Fabiana se surpreendeu ao conseguir aplicar acupuntura, mesmo sem visão. ‘Uma coisa muito desafiadora para mim foi fazer a acupuntura. Eu achava que jamais daria conta. Quando apliquei em uma pessoa, eu mesma não acreditei’, relembra.
Fabiana utilizou a anatomia do próprio corpo para identificar os pontos corretos de aplicação das agulhas. ‘Foi um desafio muito grande, porque eu tinha que fazer uso de luva, então ficou mais difícil ainda sentir essas depressões’, explica. A aplicação ocorreu durante uma aula prática, com o apoio da professora e de uma colega voluntária.
Ela conseguiu aplicar acupuntura em pontos básicos que ajudam a aliviar sintomas como ansiedade e dor de cabeça. ‘Consegui aplicar mesmo com medo’, relata. Fabiana foi a única pessoa cega da turma e ajudou a instituição a criar um modelo mais inclusivo.
Fabiana começou o curso presencial, mas teve que migrar para o modelo remoto devido à pandemia. ‘Foi onde eu vi que eu dava conta de fazer uma faculdade online’, afirma. Ela é a única da família com cegueira congênita e possui outra graduação em secretariado executivo desde 2013.
Após 12 anos de trabalho na área administrativa, Fabiana pretende estudar para passar em concurso público e voltar ao mercado de trabalho. ‘Quero voltar à minha rotina de trabalho, ocupar meu tempo também, para me sentir uma pessoa útil’, diz.
Fabiana frequenta a Associação dos Cegos de Prudente, que atende 140 assistidos cegos ou com baixa visão. A associação está promovendo uma rifa solidária com sorteio programado para o dia 8 de abril.
Daniela Cristina, que frequenta a associação desde pequena, é formada em psicologia, mas se dedica às filhas, de 10 e 6 anos. Ela e o esposo são cegos, e o irmão gêmeo de Daniela também perdeu a visão. ‘Eu levo uma vida praticamente normal, faço as minhas atividades de casa’, afirma.
Daniela enfrenta desafios diários, principalmente pelo julgamento de outras pessoas. ‘Quando a gente sai com as crianças, muitas pessoas falam a elas: ‘Vocês quem estão cuidando do papai e da mamãe?’. Na verdade, nós que cuidamos delas’, diz.
Ela aprendeu a lidar com a ignorância alheia e reforça que o problema não é dela, mas sim de quem não entende suas capacidades.


