Mulher se especializa em maquiagem de mortos após desemprego no AC

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Raquel de Andrade Souza, de 32 anos, trabalha na preparação de corpos para velórios há seis anos em Rio Branco, Acre. Ela se especializou em tanatopraxia, um ofício que envolve a maquiagem de pessoas falecidas, transformando a despedida em um gesto de cuidado e dignidade.

No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), Raquel é homenageada por sua atuação sensível em uma profissão pouco visível, mas fundamental. A necromaquiagem, uma das suas competências, é realizada logo após a higienização e desinfecção dos corpos, e inclui a aplicação de adornos como tecidos e flores.

“Decidi me tornar tanatopraxista pois entendi que cuidar de quem partiu também é uma forma de amar. Sempre fui uma pessoa sensível à dor do outro, e percebi que poderia transformar um momento de despedida em algo mais digno”, afirmou Raquel.

Ela entrou na profissão por necessidade, após ficar desempregada, e começou na limpeza de uma funerária. A curiosidade a levou a se especializar na área. “Quando eu entrei, vi os meninos fazerem aquele procedimento com os corpos, e me deu curiosidade para querer mexer”, contou.

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Raquel é mãe solo de uma menina de 11 anos e é a principal provedora da casa. Ela trabalha em regime 12/36 horas com uma equipe de oito agentes. Além da formação em tanatopraxia, recebeu capacitação em biossegurança e estética, e desenvolveu sua inteligência emocional para lidar com a profissão.

“Acham que somos frios, que não temos nenhum tipo de sentimento. Pelo contrário: eu aprendo e reflito todos os dias”, disse Raquel, ressaltando que a prática diária a ajudou a desenvolver mais sensibilidade e técnica.

Ela explicou que a necromaquiagem visa suavizar alterações que ocorrem no corpo após a morte, como palidez e manchas. “Muitas famílias relatam que, após o velório, viram o ente querido com uma aparência calma e natural”, destacou.

Raquel enfatizou que a escolha da roupa, cabelo e estilo da maquiagem é feita pelos familiares, respeitando a personalidade e crenças do falecido. “A tanatopraxia vai além da técnica. Não é apenas preparar um corpo, mas cuidar da última imagem que a família terá de quem ama”, afirmou.

Na sua primeira experiência, Raquel sentiu um misto de respeito e responsabilidade. “Entendi que estava cuidando da última memória que uma família teria de alguém que amou”, relembrou.

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Como mensagem no Dia da Mulher, Raquel aconselhou que as mulheres não deixem o medo ser maior que os sonhos. “Toda mulher tem uma força enorme dentro de si. Acredite no seu potencial e não permita que a opinião ou o julgamento das pessoas apaguem aquilo que você sonha para a sua vida”, finalizou.

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