A Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, investiga um caso de tortura contra uma mulher trans de 29 anos. O crime ocorreu no sábado, dia 14 de março de 2026. A vítima relatou que foi atraída para uma emboscada por seu namorado, Leonardo Duartes, de 22 anos, e pelos patrões, Jackson Tadeu Vieira, de 38 anos, e Laysa Carla Leite Machinsky, de 25 anos.
Em entrevista, a mulher afirmou que foi torturada, ameaçada de morte e marcada com uma suástica nazista. Leonardo confessou sua participação e disse que segurou a vítima durante a tortura. Os três suspeitos foram levados à delegacia no domingo, dia 15, e tiveram a prisão preventiva decretada. Segundo a DAM, o inquérito é tratado com prioridade devido à gravidade do caso.
A delegacia informou que aguarda a conclusão dos laudos periciais, essenciais para esclarecer a dinâmica e a gravidade das lesões da vítima. O caso foi registrado como lesão corporal e tortura. A polícia não encontrou indícios de que o crime tenha sido motivado por discriminação, mas não descartou nenhuma hipótese.
A mulher contou que estava em casa cortando grama quando o namorado chegou e mencionou que havia visto o patrão sozinho. Ela expressou seu medo de que ele entrasse em sua casa para furtar suas coisas. O casal havia reatado o relacionamento menos de uma semana antes do crime. Ao chegar no local, a vítima foi chamada para entrar no escritório, onde encontrou o namorado e Jackson, que segurava um frasco com um líquido semelhante a sangue.
Jackson mandou que ela cheirasse o conteúdo e depois o enterrasse. Ao se recusar, a mulher foi ameaçada. Ela conseguiu sair correndo, mas foi atingida nas costas e na cabeça. A vítima relatou que, durante a tortura, pedia “pela misericórdia de Jesus Cristo” e afirmava que não havia feito nada. Ela acredita que o namorado foi usado como isca para atraí-la ao local.
Após as agressões, a mulher foi liberada pelo patrão, que a ameaçou de morte caso contasse o ocorrido. Ela pediu ajuda na rodoviária e foi levada ao hospital regional de Ponta Porã, onde fez exames. Com ferimentos na cabeça, no olho e no braço, a vítima deve passar por pelo menos três cirurgias. Ela relatou que Jackson a marcou com uma faca quente, dizendo que iriam fazer algo relacionado ao nazismo.
Sobre um possível aborto de Laysa, a vítima afirmou que não foi culpada por nada e que o material mostrado a ela não era um feto, mas sim um coágulo. O primeiro suspeito encontrado pela polícia foi Leonardo, que confessou sua participação, mas alegou que apenas segurou a vítima. Jackson, por sua vez, apresentou uma versão diferente, afirmando que a vítima não compareceu ao trabalho e que a discussão entre ela e o namorado evoluiu para agressões.

