Mulher vive há 8 anos com coração artificial no Rio Grande do Sul

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma mulher de 59 anos vive há 8 anos com um coração artificial no Rio Grande do Sul. Juçara Silva, moradora de Ijuí, recebeu o aparelho HeartMate em 6 de março de 2018. O dispositivo, que ajuda a bombear sangue para o coração, custa mais de R$ 500 mil, podendo chegar a cerca de R$ 750 mil, dependendo da cotação do dólar.

Após enfrentar complicações relacionadas à insuficiência cardíaca, Juçara comemora sua nova vida. ‘Uma sobrevida maravilhosa. Hoje eu consigo fazer praticamente todas as minhas atividades. Eu faço caminhada, fisioterapia, participo de curso de artesanato’, relata.

O HeartMate é carregado em uma bolsa e, apesar das restrições, como não poder tomar banho de mar ou piscina, Juçara celebra as pequenas conquistas. ‘Eu fui à praia no ano passado, depois dos oito anos. Eu entrei, molhei meus pés, mas tenho outras coisas que vejo de maneira diferente: posso acompanhar o crescimento dos meus netos, estou aí para a formatura da minha filha’, diz.

Juçara descobriu que tinha a doença de Chagas ao fazer uma doação de sangue, mas a infecção se manifestou anos depois. Em 2016, ela foi diagnosticada com insuficiência cardíaca grave e passou por diversas internações. A médica Silvana Berwanger, que a atendia, a encaminhou para o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, onde recebeu a esperança do HeartMate.

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A doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, pode levar a complicações cardíacas. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 4,5 mil pessoas morrem anualmente no Brasil devido a essa doença. A cardiologista Livia Goldraich, que acompanha Juçara desde 2017, explica que o aparelho foi a única alternativa, pois ela não podia receber um transplante devido a um sistema imunológico ativo que dificultava a compatibilidade com doadores.

Juçara recebeu o HeartMate por meio de um programa filantrópico do Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, que disponibiliza aparelhos para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A viagem para São Paulo foi custeada pela Secretaria da Saúde do RS. ‘O aparelho precisa de energia para funcionar, então ele precisa de baterias que ficam fora do corpo’, explica a médica.

Embora o ‘coração artificial’ não tenha data de validade, Juçara apresentou coágulos e precisou passar por uma nova cirurgia para substituí-lo, mas já se recuperou. ‘É uma pessoa super ativa na comunidade, engajada. A gente tem orgulho de ver a Juçara como ela é’, afirma a médica. A expectativa de vida para quem tem o HeartMate é crescente, e a tecnologia é consolidada, sendo amplamente utilizada nos Estados Unidos e na Europa.

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