Mulheres desafiam preconceitos em profissões historicamente masculinas no RS

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Mulheres no Rio Grande do Sul estão desafiando preconceitos ao ocupar posições em profissões historicamente dominadas por homens. Elas relatam desafios e superações para conquistar espaço no mercado de trabalho e transformam a cultura de seus ambientes profissionais.

A coordenadora de obras Regina de Moura Tavares, com cerca de duas décadas de experiência na construção civil, precisou ser firme para impor respeito. Ela compartilha que, ao longo da carreira, enfrentou homens que não aceitavam receber ordens de uma mulher. Em um momento decisivo, Regina decidiu demitir toda a equipe que não a respeitava:

“”Eu peguei o capacete, o boné e mandei toda a equipe embora. Se vocês não têm capacidade de respeitar uma mulher, então vocês não respeitam nem a própria mulher de vocês, que também são mães e trabalhadoras. Eu demiti todos”.”

Essa atitude, segundo ela, foi um divisor de águas:

“”A partir dali eles começaram a me respeitar”.”

Regina enfatiza que a persistência foi fundamental para sua trajetória:

“”Tem que ter muita coragem, persistência, força de vontade e não ter medo”.”

Ela recorda que, no início, o cenário era ainda mais restrito:

“”A mulher não tinha muito contato com ferramentas, com enxada, com colher de pedreiro, com tintas. Era um mundo muito masculino”.”

Além das dificuldades no trabalho, Regina conciliava sua carreira com a maternidade:

“”Não foi fácil. Como mulher, como mãe, eu tinha filhos pequenos. Eu largava meus filhos no colégio e vinha para as obras. Eu puxava tijolo, mexia em betoneira, máquinas pesadas”.”

A motorista de ônibus Cristiane Silva Cardoso, que transporta passageiros há mais de dez anos em Cachoeirinha, também enfrentou desconfiança em sua profissão. Ela relata:

“”No começo tu sente um pouco de preconceito. As pessoas duvidam que tu vá conseguir dirigir um ônibus”.”

Apesar dos desafios, Cristiane se sente realizada:

“”É uma profissão que eu gosto. Eu sempre falo: eu faço o que eu gosto”.”

Para ela, a jornada feminina exige mais determinação:

“”A mulher tem que ter um pouco mais de persistência do que o homem porque tem mais desafio. Mas não é impossível”.”

A presença de mulheres também cresce em áreas técnicas da infraestrutura. A engenheira Giuliana Ferraro, da concessionária CCR ViaSul, coordenou as obras de recuperação da ponte sobre o Rio Taquari, na BR-386, após as enchentes que atingiram o estado. Ela explica que seu trabalho é garantir que os projetos sejam executados no prazo e com segurança:

“”O meu dia a dia é no campo mesmo”.”

Giuliana observa que o ambiente de trabalho está mudando:

“”Nós temos diversas colegas mulheres. Antigamente tinha um pouco de preconceito contra o sexo feminino. Hoje em dia as coisas já estão mudando, a gente é muito mais aceita”.”

Para as mulheres que desejam seguir carreira em áreas semelhantes, Cristiane deixa um recado:

“”Nós mulheres temos força, somos guerreiras. É só a gente querer que a gente consegue. Se der medo, vai com medo mesmo”.”

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