A atriz Mel Lisboa, 44, compartilhou sua experiência com o HPV, doença sexualmente transmissível, em um podcast. Ela revelou que foi diagnosticada com a infecção durante a adolescência, após ser traída pelo namorado, e que o diagnóstico foi feito em um estágio avançado durante uma consulta ginecológica. Sua história reacendeu a discussão sobre a saúde sexual das mulheres e se as mulheres heterossexuais podem ser consideradas um grupo vulnerável às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Embora muitas vezes não sejam vistas como população de maior risco, especialistas apontam que fatores como desigualdade nas negociações sobre o uso de preservativos, relações monogâmicas com parceiros que têm múltiplas parcerias, falta de testagem frequente e condições biológicas podem aumentar a exposição a infecções. Uma pesquisa de 2022, intitulada “Infecções sexualmente transmissíveis e saúde reprodutiva feminina”, revelou que as mulheres são mais afetadas por ISTs do que os homens ao longo da vida.
A médica ginecologista Laura Gusman explicou que a vulnerabilidade biológica das mulheres se deve a características anatômicas e fisiológicas do trato genital feminino. Ela destacou que durante a relação sexual, a mucosa vaginal e cervical fica exposta ao sêmen, aumentando a possibilidade de transmissão de vírus e bactérias. Além disso, pequenas lesões podem ocorrer durante a relação sexual, facilitando a entrada de agentes infecciosos.
Outro estudo de 2022, “Relações de gênero e poder no contexto das vulnerabilidades de mulheres às infecções sexualmente transmissíveis”, apontou que a desigualdade de gênero coloca muitas mulheres em posição de submissão nas relações, dificultando o diálogo sobre sexo seguro. A ginecologista ressaltou que muitas mulheres enfrentam dificuldades para negociar o uso do preservativo, especialmente em situações de desigualdade de poder.
O ginecologista Vinícius Araújo destacou que a sexualidade feminina é cercada por tabus, limitando o acesso a conhecimento e cuidados. Mulheres de classes sociais mais baixas enfrentam maior risco de ISTs devido ao acesso insuficiente à informação e serviços de saúde. Ele também mencionou a vulnerabilidade em relacionamentos abusivos, onde a falta de consciência sobre o risco pode levar à exposição a infecções.
Ao receber um diagnóstico de IST, muitas mulheres relatam sentir vergonha ou culpa, o que pode atrasar a busca por atendimento. O infectologista Paulo Abrão alertou que diagnósticos tardios aumentam os riscos para a saúde e o tempo de transmissão das ISTs para outras parcerias.
As ISTs mais comuns entre mulheres incluem HPV, sífilis, herpes genital, clamídia e gonorreia. Abrão destacou que essas infecções podem causar lesões genitais e complicações graves, como câncer por HPV e infertilidade. O HPV é extremamente prevalente e geralmente é adquirido na adolescência.
Para prevenir ISTs, o uso consistente de preservativos é essencial, mesmo em relacionamentos estáveis. A vacinação contra o HPV e Hepatite B, além da realização periódica de exames de rastreamento, são fundamentais para a saúde sexual das mulheres. As diretrizes recomendam que mulheres sexualmente ativas realizem avaliação ginecológica anual e rastreamento para clamídia em mulheres jovens.

