Uma pesquisa realizada pela ONG Think Olga em 2025 revelou que viajar o mundo é o principal sonho de muitas brasileiras. Entre as mais de mil mulheres entrevistadas, a insegurança se destaca como uma das principais barreiras que as impede de realizar essa aspiração. Dados do Ministério do Turismo indicam que seis em cada dez mulheres já desistiram de uma viagem por questões de segurança.
Para ajudar a superar esses desafios, agências de turismo especializadas no atendimento ao público feminino têm surgido, reconhecendo as necessidades específicas das viajantes. Marília Poletto, moradora de Sorocaba (SP), está se preparando para sua primeira viagem sozinha em 2026. “Eu sigo mulheres que viajam, então eu sempre tive essa inspiração, mas ainda parecia muito distante tomar essa atitude. É um ato de muita coragem e eu estou fazendo por mim mesma”, afirmou Marília.
Ela dedicou meses a pesquisar destinos, preços e dicas de segurança, o que a levou a optar por uma excursão feminina. “Cortei metade dos meus medos só pensando nisso”, completou. Jeniffer Olivetti, proprietária de uma agência de turismo, observa que a demanda por grupos exclusivos para mulheres tem crescido. “É muito também sobre a sensação de coletividade, afinal são mulheres dando um voto de coragem”, disse Jeniffer.
Ela notou que muitas mulheres têm pouco tempo para viajar e preferem destinos que possam ser explorados em um dia. “Esse público está distante do turista que só vai para tirar foto e postar nas redes”, explicou. Maria Elza Souza, de 69 anos, é uma viajante frequente que incentiva suas amigas a não adiarem seus sonhos. “O tempo é curto, principalmente quando a gente percebe que já está um pouco mais vivida”, afirmou Maria Elza.
Recentemente, o Ministério do Turismo lançou o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, que oferece orientações práticas para um turismo mais seguro. O guia inclui dicas como pesquisar o destino, verificar hospedagens bem avaliadas, e ter contatos de emergência salvos. Marília deixou um lembrete importante: “esses detalhes não são exagerados, porque, em último caso, você só não vai usar. E vai ser ótimo”.

