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Leitura: Natalia Pasternak analisa polilaminina e os desafios da pesquisa brasileira
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Saúde

Natalia Pasternak analisa polilaminina e os desafios da pesquisa brasileira

Amanda Rocha
Última atualização: 16 de março de 2026 07:00
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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A bióloga Natalia Pasternak compartilhou suas impressões sobre a polilaminina, um tratamento experimental que visa ajudar pessoas com lesões na medula. A pesquisa é liderada por Tatiana Sampaio e está sendo desenvolvida em parceria com o laboratório Cristália.

Pasternak, que é diretora do Instituto Questão de Ciência (IQC) e professora na Universidade Colúmbia, destacou que a divulgação do tratamento ocorreu antes da publicação de estudos robustos. ‘Como se divulga um press release e se faz um evento desses antes de ter estudos robustos publicados?’, questionou.

Ela ressaltou que a ciência não deve ser feita com comunicados de imprensa sensacionalistas. ‘Quando um comunicado para a imprensa é disparado antes de uma pesquisa revisada por pares e publicada em um periódico da área, é preciso acender o sinal de alerta na comunidade científica e entre os jornalistas.’

Pasternak também comentou sobre a expectativa gerada em torno da polilaminina, afirmando que é natural que a farmacêutica queira promover seu produto. ‘O apelo emocional é fortíssimo, porque você está falando de pacientes e familiares extremamente vulneráveis que, de modo justificável, se agarrariam a qualquer fio de esperança.’

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Ela enfatizou que a pesquisa está em seus estágios iniciais e que não há dados suficientes para afirmar a eficácia do tratamento. ‘Estamos falando de algo muito, mas muito no começo. Não há dados suficientes publicados nem sequer para levantar tamanha discussão.’

A bióloga criticou a metodologia do estudo realizado com cães, que não seguiu o protocolo adequado para a pesquisa em humanos. ‘Um estudo de metodologia ruim e com uma aplicação diferente daquela que tinha sido testada em humanos’, disse.

Pasternak também mencionou que a pesquisa piloto em humanos foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), mas que houve mudanças no desenho do estudo após a inclusão do segundo paciente. ‘O fato é que eles decidiram excluir o grupo controle e recrutaram, ao final, apenas oito pacientes.’

Ela alertou sobre a falta de transparência no processo de aprovação do estudo pela Anvisa, afirmando que o IQC solicitou acesso ao dossiê submetido pelo laboratório, mas a resposta inicial foi negativa devido ao sigilo do processo.

TAGGED:AnvisaBiologiaCiênciaCONEPCristáliaEstados UnidosInstituto Questão de CiênciamedicamentosNatalia PasternakNeurociênciaNova IorqueTatiana Sampaio
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