Negociação entre EUA e Irã foi considerada insuficiente por Trump

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A negociação entre os Estados Unidos e o Irã, que ocorreu antes dos ataques na manhã de sábado (28), foi considerada insuficiente pelo círculo interno de Donald Trump. A avaliação é de que o resultado se assemelha ao acordo firmado pelo ex-presidente Barack Obama em 2015.

A analista Fernanda Magnotta, durante o programa CNN 360°, destacou que um dos fatores que influenciaram a decisão de Trump foi a análise feita por seu genro, que atuou como intermediador nas conversações no Oriente Médio. Segundo Magnotta, ‘o acordo possível entre Estados Unidos e Irã, aquele que vinha sendo negociado, seria apenas uma versão 2.0 do que conseguiu Obama em 2015’. Isso teria irritado Trump, que frequentemente criticou o acordo de Obama como ‘o pior acordo de todos os tempos’.

A especialista expressou ceticismo sobre a possibilidade de um restabelecimento do diálogo entre os dois países após os recentes ataques. ‘Não me parece haver nenhum tipo de condição para um restabelecimento de diálogo nesse momento’, afirmou. Ela ressaltou que a situação atual sugere uma tendência contrária à desescalada ou à mediação diplomática.

Magnotta também apontou que os Estados Unidos estão intensificando ataques aéreos, mirando na marinha iraniana e articulando o uso de forças curdas na fronteira do Iraque. O objetivo seria desestabilizar o regime iraniano e incentivar a população a se levantar contra o governo.

Do lado iraniano, a situação também não favorece o diálogo. ‘O Irã abriu fogo contra basicamente todo mundo do Oriente Médio’, observou a analista. Ela mencionou que até a Turquia, que se ofereceu como mediadora e condenou os ataques americanos e israelenses, se envolveu no conflito em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Outro complicador destacado por Magnotta é a falta de um sucessor definido para o líder supremo do Irã. ‘Quem vai definir os termos dessa retaliação, a duração, a intensidade, se vai ou não haver diálogo com os americanos, me parece que não está nem selecionado ainda’, enfatizou.

A analista concluiu que o clima é de preocupação, ansiedade e medo de que novos atores, tanto estatais quanto não estatais, possam ser envolvidos no conflito, ampliando a crise além do Oriente Médio.

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