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Nintendo processa governo dos EUA por tarifas e pede devolução com juros

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Nintendo abriu uma ação judicial contra o governo dos Estados Unidos, solicitando a devolução, com juros, dos valores arrecadados durante as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump em 2025.

O processo foi instaurado na última sexta-feira, 6 de março de 2026, e contesta a legalidade das taxas sobre importação, que foram suspensas pela Suprema Corte em fevereiro. A subsidiária da empresa nos EUA, a Nintendo of America, protocolou a ação no Tribunal de Comércio Internacional, alegando que as “medidas comerciais ilegais” da Casa Branca resultaram na arrecadação de mais de US$ 200 bilhões em tarifas sobre importações de quase todos os países.

Os advogados da Nintendo indicaram como réus o Departamento do Tesouro e seu secretário, Scott Bessent; a Alfândega e a Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos e seu comissário, Rodney Scott; o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos e seu chefe, Jamieson Greer; o Departamento de Comércio e seu secretário, Howard Lutnick; e o Departamento de Segurança Interna e sua ex-secretária, Kristi Noem, que foi recentemente demitida por Trump.

Com essa ação, a Nintendo se junta a outras 1.000 empresas que buscam restituição sobre as taxas implementadas por Trump no ano anterior. O presidente utilizou a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Nacional de 1977 para aplicar as tarifas, justificando a medida como uma forma de “balancear” o comércio americano com o resto do mundo.

Nos meses seguintes, Washington aumentou as alíquotas contra países considerados hostis, frequentemente motivado por razões ideológicas. A Nintendo, que fabrica seus consoles e acessórios em países como Vietnã e China — este último um dos principais alvos da taxação, que chegou a 125% —, foi severamente impactada pelo tarifaço.

Esse cenário levou a empresa a adiar as pré-vendas de seu novo console, o Switch 2, para “avaliar o impacto potencial das tarifas e as condições do mercado”. Após algumas semanas de atraso, a Nintendo lançou o console pelo valor previamente anunciado de US$ 449,99, mas teve que aumentar o preço dos acessórios devido ao novo cenário tributário.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, a empresa aproveitou a suspensão temporária das tarifas por 90 dias para transferir todas as suas unidades do Vietnã para os Estados Unidos, conseguindo manter o preço estipulado anteriormente. O processo da gigante dos games ocorre semanas após a Suprema Corte americana decidir que Trump não poderia invocar a legislação de 1977 para impor as tarifas.

Na denúncia, a Nintendo citou a decisão judicial para solicitar o reembolso com juros dos valores pagos anteriormente.

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