Nível do mar pode ser até 1,5 metro mais alto do que se pensava, aponta estudo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um estudo publicado na revista Nature revela que o nível do mar em todo o mundo pode ter sido sistematicamente subestimado devido a falhas nos modelos utilizados para medições. A pesquisa indica que o nível médio global do mar pode estar cerca de 30 centímetros acima do que se acreditava, podendo chegar a 1 metro ou até 1,5 metro em algumas regiões, como o Sudeste Asiático e o Indo Pacífico.

Essa revisão pode alterar significativamente as projeções sobre os impactos do aquecimento global em áreas costeiras densamente povoadas, uma vez que a elevação do nível do mar é uma das principais ameaças às comunidades litorâneas. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estima que até 2100 os oceanos podem subir entre 28 centímetros e 1 metro, dependendo do cenário de emissões.

A análise reuniu a avaliação de 385 artigos científicos revisados por pares, publicados entre 2009 e 2025, e comparou os métodos utilizados para estimar a altitude das áreas costeiras em relação ao nível do mar. Mais de 90% desses trabalhos não utilizaram medições locais e diretas do nível do mar e, em vez disso, basearam-se em modelos globais chamados geoides.

“O nível do mar é influenciado por fatores adicionais, como ventos, correntes oceânicas, temperatura e salinidade da água”, afirmam os autores, apontando que esses elementos nem sempre são incorporados de forma adequada nos modelos globais. Essa abordagem pode ter levado a uma subavaliação média entre 24 e 27 centímetros.

As novas estimativas indicam que, com uma elevação relativa de 1 metro, cerca de 37% a mais de áreas costeiras poderiam ficar abaixo do nível do mar, afetando até 132 milhões de pessoas. Para os pesquisadores, se o nível do mar em determinada ilha ou cidade costeira já for mais alto do que o considerado anteriormente, os impactos da elevação tendem a ocorrer antes do previsto.

O estudo também alerta para um “ponto cego interdisciplinar”, pois parte significativa dos trabalhos que podem conter imprecisões foi citada nos relatórios mais recentes do IPCC, o que pode influenciar avaliações de risco e políticas públicas. Os autores defendem a revisão das metodologias empregadas em estudos de risco costeiro e disponibilizam um banco de dados atualizado com medições integradas de elevação costeira e níveis do mar, com o objetivo de aprimorar a adequação das projeções para orientar estratégias de adaptação à crise climática.

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