Uma imagem falsa de uma matéria do jornal O GLOBO circula nas redes sociais, afirmando que o presidente dos EUA, Donald Trump, teria suspendido a entrada de todos os brasileiros no país. A informação é falsa.
A postagem, que aparece em plataformas como X e Instagram, mostra um título e subtítulo de uma suposta matéria assinada pela colunista Miriam Leitão, que teria sido publicada na sexta-feira (13). O título diz: ‘Trump suspende entrada de todos os brasileiros nos EUA’, enquanto o subtítulo afirma que a decisão foi tomada após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelar o visto do assessor de Trump, Darren Beattie.
Entretanto, a matéria nunca existiu e não há registros de qualquer anúncio de retaliação do governo Trump em relação à revogação do visto de Beattie, que estava programada para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.
O conteúdo falso começou a circular no sábado (14), um dia após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) ter revogado a concessão do visto a Beattie. Lula comentou a revogação, vinculando-a a um episódio anterior em que o visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua família foram cancelados pelos EUA.
“‘Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado’, disse Lula em evento no Rio de Janeiro.”
A defesa de Bolsonaro havia recebido autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para Beattie visitar o ex-presidente. Contudo, na quinta-feira, Moraes reconsiderou sua decisão e negou a autorização, após receber informações do chanceler Mauro Vieira sobre a natureza da visita.
O ofício enviado ao STF indicava que o pedido de visto mencionado em Washington não fazia referência à visita a Bolsonaro, mas apenas a participação em um fórum e reuniões com autoridades brasileiras. Moraes destacou o risco de ‘indevida ingerência em assuntos internos’, um argumento apresentado pelo Itamaraty.
A defesa de Bolsonaro havia solicitado que Beattie pudesse visitá-lo nos dias 16 ou 17 de março, mas a decisão manteve a exigência de autorização judicial para visitas ao ex-presidente, que está preso por decisão do Supremo no inquérito sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Após a solicitação de visita a Bolsonaro, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília pediu reuniões para Beattie com autoridades do Ministério das Relações Exteriores, o que ocorreu sem uma agenda diplomática previamente comunicada ao Itamaraty.


