A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a detecção de uma nova cepa recombinante do vírus da Mpox, doença infecciosa viral relacionada à varíola, em fevereiro de 2026. A nova variante é resultado da fusão de elementos de duas linhagens genéticas conhecidas (clados Ib e IIb), uma associada ao surto global de 2022 e outra a um surto recente em países africanos.
Os testes laboratoriais convencionais não conseguiram identificar corretamente essa nova cepa. A OMS alerta que a cepa pode estar mais disseminada do que os registros atuais indicam, com casos confirmados no Reino Unido e na Índia, ambos com histórico de viagem internacional.
Além disso, um estudo publicado no New England Journal of Medicine revelou que o tecovirimat, principal antiviral utilizado contra a varíola e outros vírus do gênero Orthopoxvirus, não demonstrou eficácia no tratamento da Mpox. O estudo, que envolveu 344 adultos imunocompetentes com Mpox confirmada do clado II, não mostrou diferença significativa entre o grupo que recebeu o antiviral e o grupo placebo em relação à resolução clínica e eliminação do vírus.
““A resolução clínica ocorreu em 83% dos pacientes tratados, percentual praticamente idêntico ao do grupo placebo, com 84%”, afirmaram os pesquisadores.”
O estudo também destacou que a diferença média na intensidade da dor foi de apenas 0,1 ponto em uma escala de 0 a 10. A OMS enfatiza que a vigilância deve incorporar o sequenciamento genômico para identificar cepas recombinantes, já que os testes PCR convencionais falharam em caracterizar o novo vírus.
A letalidade do clado IIb é inferior a 0,1% em países de alta renda, enquanto o clado Ib, predominante na África Central, tem letalidade estimada entre 3% e 5%. Entre janeiro de 2024 e maio de 2025, 26 países africanos notificaram mais de 139 mil casos suspeitos e cerca de 1.788 mortes.
No Brasil, a confirmação do clado Ib em São Paulo, em março de 2025, aumentou a preocupação, pois o país agora enfrenta a possibilidade de circulação de uma variante associada a desfechos mais graves. O Ministério da Saúde recomenda que a vacinação dos grupos prioritários não deve esperar um novo surto para ser ampliada.
A principal forma de prevenção é a vacinação, com o imunizante Jynneos (MVA-BN) sendo oferecido pelo SUS para grupos prioritários. A vacina mostrou eficácia entre 70% e 85% na prevenção de casos sintomáticos durante o surto de 2022.
““A janela para agir é agora”, alertou a OMS.”
Além da vacinação, é importante evitar contato direto com lesões de pessoas suspeitas de Mpox e buscar atendimento médico ao surgirem sintomas como febre e lesões na pele.


