Novas conversas revelam negociação de propina de até R$ 5 milhões para policiais civis de SP

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Novas conversas em áudio e texto obtidas revelam tratativas envolvendo advogados e doleiros para pagamento de propina a policiais civis de São Paulo. Os valores variam entre R$ 100 mil e R$ 5 milhões, com o objetivo de encerrar investigações no âmbito da Operação Bazaar. A operação foi deflagrada na quinta-feira (5) pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Polícia Federal e Corregedoria-Geral da Polícia Civil.

A Operação Bazaar visa prender suspeitos de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro dentro da Polícia Civil paulista. Em uma das conversas, o advogado Guilherme Nasser discute com o doleiro Cléber Azevedo dos Santos a negociação de R$ 700 mil para interromper uma apuração. Nasser menciona que um escrivão pediu o valor, mas ele conseguiu reduzir para R$ 100 mil devido à sua boa relação com os policiais.

“Dá um troquinho lá pros cara, tira aí cinquentinha do rodrigo, cinquentinha teu, aí dá cenzinha pros cara e acabou… mata na raíz!”, disse Nasser em um áudio. Ele também mencionou que buscaria ajuda do delegado João Eduardo da Silva, que foi preso na operação.

Em outra conversa, Nasser fala com o doleiro Robson Martins de Souza sobre uma cobrança de R$ 5 milhões para barrar uma investigação. Robson confirma a solicitação: “Isso mesmo 5 mais liga para ele por favor ele está esperando até hoje”.

Os promotores identificaram que não houve formalização da investigação, caracterizando-a como uma “investigação de gaveta” para obtenção de vantagem indevida. As condutas de João Eduardo e do escrivão Ciro Borges Ferraz foram destacadas como representativas da corrupção dentro da Polícia Civil.

Além disso, um áudio revela uma negociação de R$ 50 mil para interromper um inquérito aberto em outubro de 2022. Nasser afirmou que, devido à sua relação com um delegado, conseguiria resolver a situação. “Comigo eles não ‘acharcam’ porque esse delegado aí, eu conheço muito ele”, disse.

Até o momento, nove pessoas foram presas, incluindo um delegado, investigadores e um advogado. As investigações apontam que os policiais civis cobravam até R$ 33 milhões em propina para encerrar inquéritos. “Ali naquela delegacia o delegado é ‘parceiraço’ meu”, diz um dos alvos em um áudio.

As defesas dos envolvidos afirmaram que ainda não tiveram acesso aos documentos da investigação e que qualquer afirmação de culpa é precipitada e desprovida de fundamento.

Compartilhe esta notícia