A série brasileira “Só Mais Uma Vez” foi lançada no último fim de semana e rapidamente alcançou o topo do ReelShort, um aplicativo especializado em novelas verticais de consumo rápido no celular. Em apenas cinco dias, a produção se aproximou de 60 milhões de visualizações e passou a liderar os rankings diário, semanal e mensal da plataforma.
Protagonizada por Giovanna Chaves, Ricardo Vianna e Priscila Buiar, a obra utiliza uma fórmula clássica de dramaturgia, incluindo triângulo amoroso, doença terminal e conflitos familiares, adaptada para uma linguagem voltada a telas pequenas e consumo fragmentado. A série é composta por 90 episódios curtos, projetados para capturar a atenção nos primeiros segundos e manter o espectador engajado durante maratonas rápidas.
Produzida pela Renoir Agency, a série resulta de um modelo industrial focado em volume e retenção. A empresa afirma ter produzido mais de 20 mil episódios e 30 novelas verticais nos últimos cinco anos, acumulando mais de 15 bilhões de visualizações em diversas plataformas.
A estratégia da Renoir Agency envolve o desenvolvimento de uma linguagem própria, com roteiros diretos, atuação intensificada e edição acelerada, adaptadas ao comportamento do usuário mobile. O crescimento desse formato está ligado a mudanças no consumo de vídeo, onde minidramas com capítulos de um a três minutos são desenhados para serem assistidos em sequência.
O modelo de monetização do audiovisual também é redefinido. No ReelShort e plataformas semelhantes, o principal mecanismo é o pay-per-view com microtransações, onde usuários compram créditos para desbloquear episódios ou assinam planos semanais e anuais. Existe ainda a opção de assistir a anúncios em troca de acesso gratuito, criando um híbrido entre streaming pago e publicidade digital.
Segundo dados da consultoria Omdia, o mercado global de minidramas movimentou cerca de 11 bilhões de dólares em 2025 e deve alcançar 14 bilhões em 2026, com crescimento impulsionado principalmente pelos Estados Unidos e China. Nos EUA, plataformas como ReelShort e DramaBox têm ganhado espaço ao atrair um público jovem habituado a vídeos curtos.
Estima-se que aplicativos de novelas verticais já somem dezenas de milhões de usuários ativos mensais nos Estados Unidos, com receitas crescendo em ritmo de dois dígitos ao ano. Empresas americanas têm investido na adaptação de roteiros e na produção local para competir com conteúdos asiáticos. A China, por sua vez, é o epicentro desse fenômeno, com um mercado de microdramas que já supera bilhões de dólares anuais.
O desempenho de “Só Mais Uma Vez” sugere que o Brasil começa a ocupar um espaço relevante na cadeia global. Ao combinar expertise em dramaturgia com adaptação ao consumo digital, produtoras locais tentam aproveitar uma tendência que ainda está em consolidação, mas que já demonstra potencial para redefinir a indústria audiovisual.

