O Brasil registrou um aumento de 46,5% no número de casos de mpox, com 129 casos confirmados até 3 de março, segundo o Ministério da Saúde. O levantamento anterior, publicado em 24 de fevereiro, contabilizava 88 casos. Além disso, há sete casos prováveis e 570 suspeitos. Até o momento, nenhuma morte foi registrada neste ano.
O estado de São Paulo é o mais afetado, com 86 casos, seguido por Rio de Janeiro (19 casos), Rondônia (dez casos), Minas Gerais (sete casos), Rio Grande do Sul (três casos) e Paraná (dois casos). Os estados do Ceará, Distrito Federal, Goiás, Pará, Santa Catarina e Sergipe registraram um caso cada.
Em entrevista, o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), comentou que o aumento de casos pode ser atribuído ao período pré-carnaval, que propiciou encontros e festas. Ele alertou que o crescimento pode continuar nas próximas semanas e destacou a importância da busca ativa por diagnóstico.
““É importante contextualizar que foi no período pré-carnaval, que teve várias situações de encontros, festas e situações de contato entre pessoas. É possível que a gente ainda veja um crescimento desses casos nas próximas duas ou três semanas. Por isso, a importância da busca ativa por diagnóstico”, declarou.”
A mpox não afeta grupos específicos, mas os dados mostram que a faixa etária mais afetada é de 30 a 39 anos, com idade média de 33 anos. A maioria dos pacientes é do sexo masculino (77%), e 65% são homens que fazem sexo com outros homens.
Barbosa ressaltou que as medidas de contenção do vírus devem ser retomadas. Ele explicou que o vírus continua a circular endemicamente desde 2022 e que, embora a circulação esteja mais intensa, não se trata de um surto explosivo. Ele alertou que as populações de maior risco devem estar atentas.
““O vírus continua com circulação endêmica desde 2022, nunca houve uma interrupção e, agora, temos uma circulação mais intensa, mas não é um surto explosivo. As populações de maior risco, que a gente sabe que são principalmente homens que fazem sexo com outros homens, têm de ficar em alerta”, explicou.”
O infectologista também apresentou recomendações para o controle da doença, como o distanciamento e o isolamento de casos suspeitos, que foram essenciais no passado. Ele destacou a atuação das ONGs que trabalham com a comunidade LGBTQI+ na comunicação e prevenção.
Os sintomas da mpox incluem febre, calafrios, dores no corpo e na cabeça, e a erupção cutânea, que geralmente aparece no rosto, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. As lesões podem surgir também na boca, órgãos genitais e ânus. Pessoas imunossuprimidas e portadoras do HIV devem buscar atendimento médico, pois a doença pode ser grave.
Não há tratamento específico para a mpox, apenas manejo dos sintomas. A doença foi descoberta em 1958 e é transmitida principalmente por roedores, podendo infectar humanos através do contato com animais mortos ou consumo de carne contaminada.


