O filho do agricultor Sidrônio Moreira, da cidade de Tabuleiro do Norte (CE), encontrou um possível petróleo ao perfurar o solo em busca de água. Sidnei Moreira e sua família enfrentam dificuldades para acessar água encanada e dependem de uma adutora e carros-pipa para tarefas diárias.
Em 2024, Sidnei e seu pai decidiram perfurar dois poços artesianos, mas encontraram um líquido preto, denso e com cheiro de combustível. Eles aguardam uma análise da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para identificar a substância. Sidnei relembra: “No primeiro momento que a gente viu que não era água, eu fiz um mecanismo para conseguir tirar uma amostra e ver o que de fato era. Acabamos encontrando esse óleo.”
Enquanto isso, Sidnei cuida de cerca de 20 animais e plantações de feijão e milho. Para beber, a família compra água mineral, gastando cerca de R$ 100 por mês. Sidnei, que estudava em Mossoró (RN), retornou ao Sítio Santo Estevão para ajudar o pai nas tarefas diárias.
“Nunca foi nossa intenção achar petróleo, sempre foi achar água”, afirma Sidnei. Ele não faz planos caso o líquido encontrado seja petróleo e prefere manter os pés no chão. A Constituição Federal determina que o subsolo e suas riquezas pertencem à União, mas o agricultor poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por exploração comercial no futuro.
A substância semelhante a petróleo foi encontrada em novembro de 2024. Um vídeo gravado pela família mostra o momento em que o líquido escuro emerge do buraco. A localidade onde a substância foi descoberta está a apenas 11 quilômetros do bloco de exploração mais próximo.
A família notificou a ANP em julho de 2025, mas a agência só se manifestou em fevereiro de 2026, informando que abriria um procedimento administrativo para investigar o caso.
Enquanto aguardam a confirmação da ANP, a família vive na incerteza. A propriedade não possui água encanada e o abastecimento é intermitente. Sidrônio pegou um empréstimo de R$ 15 mil para a perfuração do primeiro poço, mas a abertura de um novo poço é complicada devido aos custos e riscos de contaminação.
As análises do IFCE e da Ufersa confirmaram que o líquido encontrado é um tipo de hidrocarboneto que se assemelha ao petróleo. A ANP deve iniciar procedimentos para averiguar as condições da área e a composição química do líquido.


