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Entretenimento

‘O Pagador de Promessas’: clássico de Anselmo Duarte venceu Cannes e levou o Brasil ao Oscar pela 1ª vez

Amanda Rocha
Última atualização: 15 de março de 2026 08:00
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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O filme ‘O Pagador de Promessas’, dirigido por Anselmo Duarte, completa 50 anos da conquista da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Neste domingo (15), o Brasil será representado na categoria de Melhor Filme Internacional pelo filme ‘O Agente Secreto’, que se junta a uma lista que inclui produções como ‘O Quatrilho’ (1996) e ‘Central do Brasil’ (1999).

‘O Pagador de Promessas’ foi o primeiro filme brasileiro indicado ao Oscar, em 1963, na categoria então chamada de Melhor Filme Estrangeiro. Apesar de não ter vencido, a indicação foi um marco para o cinema brasileiro no cenário internacional. O prêmio foi para o filme francês ‘Sempre aos Domingos’.

Antes da indicação ao Oscar, o longa já havia conquistado reconhecimento ao vencer a Palma de Ouro em Cannes em 1962, prêmio que permanece como o único concedido a um filme brasileiro até hoje. A repercussão foi intensa, com Anselmo Duarte sendo recebido por multidões ao retornar ao Brasil. Relatos indicam que o então presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, teria solicitado uma sessão do filme na Casa Branca.

“”Quando voltou ao Brasil com a Palma de Ouro conquistada no Festival de Cannes, Anselmo foi recebido por uma multidão no porto de Santos (SP).””

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A Palma de Ouro teve uma história curiosa, pois o troféu original ficou desaparecido por anos, sendo encontrado apenas em 2022, dentro de um cofre da antiga Prefeitura de Salto, cidade natal de Anselmo Duarte.

Baseado na peça de Dias Gomes, o filme narra a história de Zé do Burro, interpretado por Leonardo Villar, um agricultor que promete carregar uma cruz até Salvador, na Bahia, caso seu burro sobreviva a um raio. Ao chegar à capital baiana, ele enfrenta resistência da Igreja, gerando um conflito que mobiliza a cidade.

“”O filme transforma o espaço público em palco dramático. A escadaria da igreja vira um anfiteatro onde se discutem religião, intolerância e tensões sociais brasileiras que continuam presentes hoje.””

Apesar do reconhecimento internacional, ‘O Pagador de Promessas’ não foi unanimidade no Brasil. O movimento do Cinema Novo, que defendia um cinema mais político e experimental, viu o filme com desconfiança. O diretor Glauber Rocha, um dos principais nomes do movimento, criticou a obra, considerando-a excessivamente clássica.

“”O filme foi acusado de ser acadêmico e herdeiro do modelo de estúdio, enquanto o Cinema Novo buscava ruptura estética e política.””

Anselmo Duarte, nascido em Salto em 1920, começou sua carreira no cinema ainda criança. Ele participou de mais de 40 produções como ator, roteirista e diretor. O ‘Pagador de Promessas’ foi seu segundo trabalho como diretor, após ‘Absolutamente Certo’. O reconhecimento internacional consolidou seu crescimento no cinema brasileiro.

Mais de seis décadas depois, o cinema brasileiro volta a ser destaque internacional com ‘O Agente Secreto’, de Kleber Mendonça Filho, que também foi premiado em Cannes. Segundo especialistas, há paralelos entre os momentos históricos do cinema brasileiro, que sempre lutou para existir e continua enfrentando desafios.

“”O legado deixado, e que está em ‘O Agente Secreto’, é o diálogo com o público. É possível dialogar com o público mantendo identidade autoral.””

TAGGED:Anselmo DuarteCannesCinemaculturaDias GomesGlauber RochaJohn F. KennedyKleber Mendonça FilhoLeonardo VillarOscarSaltoSP
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