Objetos da Ku Klux Klan encontrados em prédio público no Mississippi

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Objetos relacionados ao movimento supremacista Ku Klux Klan (KKK) foram descobertos na sede do Departamento de Segurança Pública de Mississippi, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira, 25 de março de 2026. A informação foi divulgada pelo jornal local Mississippi Today.

Funcionários estavam limpando um armário antes da mudança da instituição para outro endereço quando encontraram o material. Entre os itens mais notáveis, estava um manual dos Cavaleiros Brancos, o braço mais violento do grupo, que foi responsável por pelo menos 10 assassinatos na década de 1960.

Além do manual, foram localizados manuscritos que continham atas de reuniões, anotações financeiras e listas de integrantes que pagaram ou não a mensalidade para garantir a membresia. O material, que revela um passado sombrio em que os Cavaleiros Brancos contavam com quase 100 mil membros, foi entregue ao Departamento de Arquivos e História de Mississippi.

““Ao preservar esses artefatos e esclarecer a existência dessas organizações, ajudamos a garantir que as gerações futuras nunca sejam desviadas por esse ódio”, disse o comissário de Segurança Pública do estado, Sean Tindell.”

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O diretor do Departamento de Arquivos, Barry White, afirmou que “os registros darão aos pesquisadores um acesso mais amplo à documentação, aprofundando a compreensão acerca das atividades da Ku Klux Klan no Mississippi durante a década de 1960”. Ele também agradeceu a Tindell por reconhecer a importância dos itens para a história do país e ressaltou que o processamento do material pode levar meses.

Durante a transferência do Departamento de Segurança Pública, também foram encontrados documentos da Patrulha Rodoviária do estado, etiquetados com os títulos “Agitadores Comunistas” e “Viajantes da Liberdade”. O acervo continha fotos e relatórios de viagem de ativistas de direitos civis que usavam ônibus interestaduais para se deslocar até o sul e desafiar as leis de segregação racial da época.

A Ku Klux Klan surgiu no sul dos Estados Unidos no final dos anos 1860, tentando derrubar governos estaduais republicanos durante a Era da Reconstrução, utilizando violência contra líderes afro-americanos. Seus membros costumavam fazer trajes aterrorizantes para esconder suas identidades.

Após repressão federal, o grupo diminuiu nos anos 1870, mas ressurgiu no início do século XX, focando nas áreas urbanas do Centro-Oeste e Oeste do país, se opondo a católicos e judeus, especialmente imigrantes recentes. O traje branco padrão e rituais de queima de cruzes surgiram nesse período.

A terceira e atual manifestação da KKK surgiu após 1950, com grupos pequenos e locais que se opuseram ao movimento dos direitos civis dos anos 60, frequentemente usando violência e assassinatos. Atualmente, é classificada como um grupo de ódio pela Liga Antidifamação, com estimativas de 2012 indicando entre 5 mil e 8 mil membros.

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