A ofensiva do Irã no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, já provoca reflexos na economia global. O bloqueio da passagem do estreito, na costa iraniana, tem reduzido significativamente o fluxo de petróleo que atravessa a rota e, consequentemente, pressionado os preços da commodity. Diversas autoridades de países estão adotando medidas para conter os impactos.
O Estreito de Ormuz é crucial, pois por ele passam 20% de todo o petróleo produzido no planeta e até 25% do gás natural, com a maior parte destinada a países como China, Índia, Coreia do Sul e Japão. Em condições normais, entre US$ 300 milhões e US$ 360 milhões em petróleo cruzam diariamente a passagem estreita de apenas 33 km de largura. Atualmente, o controle do estreito está nas mãos da guarda revolucionária do Irã, que confirmou o fechamento da passagem e ameaçou incendiar qualquer navio que tentasse atravessá-la.
A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz começou após os Estados Unidos e Israel iniciarem uma campanha de ataques aéreos contra o Irã em 28 de fevereiro, aumentando a tensão militar na região. Antes dessa escalada, a movimentação no estreito era intensa, mas agora, com o risco de minas navais e ataques, o cenário mudou drasticamente, resultando em uma redução brusca no tráfego de navios.
Analistas afirmam que a estratégia iraniana visa criar um clima de medo de uma crise global. O Irã já havia ameaçado fechar o estreito em 2019, quando foi acusado de atacar petroleiros na região. Para o governo iraniano, essa estratégia é uma forma de pressionar o mundo e tentar conter a guerra. Ronaldo Carmona, professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra, afirma: “O fechamento do Estreito de Ormuz é uma opção estratégica do Irã, no sentido de tentar conter a guerra e acabar, portanto, com a pressão contra o seu próprio território”.
Os especialistas alertam para o impacto econômico dessa medida. Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, explica que a Arábia Saudita, principal exportadora de petróleo do mundo, depende do Estreito de Ormuz para suas exportações. A redução da oferta de petróleo pode levar ao aumento dos preços e à inflação.
A ameaça de uso de minas marítimas pelo Irã se tornou um ponto central da guerra naval em curso. Essas armas são operadas pela Marinha tradicional iraniana e pela Marinha da Guarda Revolucionária, especializada em operações assimétricas no mar. Ronaldo Carmona explica que a utilização de minas é uma tática clássica de guerra naval, e as minas se tornam cada vez mais sofisticadas.
Existem três tipos principais de minas marítimas: minas de contato, que detonam ao toque; minas de influência, ativadas por sensores; e minas remotas, controladas à distância. Eduardo Tannuri, professor de Engenharia Mecatrônica da USP, alerta que a navegação se torna muito arriscada, pois os navios não conseguem detectar a presença das minas.
Na batalha marítima atual, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que um de seus alvos é aniquilar a Marinha iraniana. Ele afirmou que os EUA derrubaram 42 embarcações iranianas e que um submarino americano afundou uma fragata iraniana perto do Sri Lanka. Ao menos 87 corpos foram encontrados e 32 pessoas foram resgatadas. Trump também mencionou a possibilidade de escoltar petroleiros, mas o Estreito de Ormuz continua parcialmente fechado. Segundo a ONU, 20 mil tripulantes estão a bordo de navios no Golfo Pérsico, aguardando a abertura total do estreito.


