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Internacional

Ofensiva militar dos EUA e Israel contra o Irã visa conter riscos globais, diz especialista

Amanda Rocha
Última atualização: 5 de março de 2026 21:16
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã é considerada uma tentativa de conter uma ameaça estratégica mais ampla, envolvendo segurança regional, energia e a estabilidade internacional. A avaliação é do coordenador-geral do DSI-USP, Alberto Pfeifer.

Segundo Pfeifer, a campanha militar tem como alvo o sistema político iraniano. Ele afirma:

““A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã — contra o regime teocrático, a República Islâmica do Irã, o regime dos aiatolás — conta cada vez mais com o apoio dos países árabes, dos países do Golfo e dos países ocidentais, tentando eliminar uma ameaça existencial para Israel.””

Pfeifer argumenta que a disputa também envolve interesses energéticos globais e menciona um cálculo geopolítico relacionado à competição com a China. Ele diz:

““É uma ameaça desestabilizadora para o mercado internacional de petróleo, hidrocarbonetos e gás natural. Busca dar continuidade a uma estratégia de contenção da dominância energética e dos hidrocarbonetos, precursores de toda a indústria plástica, petroquímica e de outros setores da China, portanto tentando asfixiar a autonomia industrial chinesa.””

O especialista destaca que há um fator mais profundo que une diferentes países na oposição ao regime iraniano. Ele explica:

““O que une os interesses do Ocidente — Estados Unidos, Europa e Israel — e também os países árabes de linha mais sunita, em contraposição à linha xiita da República Islâmica do Irã, além de países orientais, como Índia e China, é a diferença na maneira de ver o mundo, uma teleologia, uma visão de como se dá a relação entre o poder terreno e as sociedades.””

Pfeifer ressalta que a maior parte dos países opera sob um modelo secular, enquanto o Irã apresenta uma comunalidade entre religião e Estado. Ele afirma:

““No caso desses países, há uma visão secular, com administração racional, estruturas burocráticas e distinção entre setores produtivos e políticos. No caso do Irã, há uma comunalidade entre religião e Estado.””

O especialista considera que o modelo iraniano representa um fator de risco para a estabilidade global, criando um problema de fundamentalismo radical e terrorismo potencial. Ele afirma:

““Cria um problema de fundamentalismo radical, terrorismo potencial, dispersão pelo mundo da instabilidade por meio de organizações políticas criminosas que afetam a estabilidade do restante do mundo.””

Pfeifer conclui que a ameaça percebida ultrapassa os países diretamente envolvidos no conflito. Ele observa:

““Esse é o principal potencial de risco, de perigo que o Irã representa, não só por esses países que estão na campanha militar diretamente, como Estados Unidos, Israel, países europeus e países árabes do Golfo, como também para a China, Índia e Rússia, como para toda a comunidade internacional.””

Na visão do analista, o confronto atual busca neutralizar os efeitos práticos do modelo político iraniano, mas reconhece que ideias não podem ser eliminadas militarmente. Ele finaliza:

““Essa distinção entre o que é secular, o que é a vida dos homens, a vida terrena e a conexão direta com a religião, está presente na política e é central no entendimento do que é o regime iraniano. Como combater uma ideia? Não há como fazer. A ideia permanecerá. Mas a maneira de desestabilizar o restante do mundo é que está sendo neutralizada agora, para interesse de toda a comunidade internacional.””

TAGGED:Alberto Pfeiferconflito no Oriente MédioDSI-USPGuerra Oriente Médioregime dos aiatolás
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