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Oferta de bezerros diminui e custos aumentam para pecuaristas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A oferta restrita de bezerros tem gerado desafios para pecuaristas e confinamentos no interior de São Paulo. A dificuldade de reposição de animais ocorre após três anos de abate elevado de fêmeas no país, levando à retenção de matrizes para recomposição do rebanho.

No município de Bálsamo (SP), um confinamento com capacidade para 5 mil cabeças de gado possui atualmente pouco mais da metade do total que a estrutura comporta. Para atender contratos com frigoríficos, produtores precisam buscar bezerros até fora do estado.

Especialistas do setor afirmam que o momento é mais favorável para quem trabalha com cria e vende bezerros. Por outro lado, os confinamentos, que são responsáveis pela fase de engorda, enfrentam custos maiores para adquirir os animais e precisam investir em estratégias de alimentação para garantir desempenho na terminação.

O ágio do bezerro, que é o valor pago acima do preço da arroba do boi gordo, também tem aumentado. Em algumas regiões do país, essa diferença passou de cerca de 30% em meados de 2025 para perto de 35% neste ano.

Para compensar os custos mais altos de reposição, pecuaristas têm adotado estratégias dentro das propriedades. Em uma fazenda em Mirassol (SP), por exemplo, um produtor investe no ganho de peso do rebanho e no aproveitamento de matrizes da raça Angus para a produção de bezerros.

Com a arroba do boi gordo sendo negociada perto de R$ 350 em São Paulo, os produtores também buscam entregar animais mais pesados para o abate, mas ainda jovens. A valorização da arroba não se deve apenas à menor oferta de animais, mas também à demanda interna aquecida e ao volume recorde de exportações.

Em 2025, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, um crescimento de 20% no volume e de 40% no faturamento em relação a 2024. Em um frigorífico em Estrela d’Oeste (SP), cerca de 60% da produção é destinada ao mercado externo, principalmente para a China e Europa.

Apesar da menor oferta de gado para abate, a indústria mantém projeções positivas para o primeiro semestre. Especialistas avaliam que os próximos meses devem refletir esse cenário de oferta mais restrita de animais e preços sustentados no mercado pecuário.

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