Uma onça-pintada resgatada no estado de Roraima foi transferida para um santuário de felinos em Goiás após passar mais de um ano em reabilitação na Rede de Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O transporte ocorreu na quinta-feira, 12, quando o animal deixou o Cetas de Brasília (DF) rumo ao Instituto Nex, em Corumbá de Goiás, onde continuará o tratamento até que haja condições de retorno à natureza.
O felino foi encontrado em janeiro de 2025 por policiais ambientais em uma chácara no município de Caroebe, no sul de Roraima. Na época, tinha pouco mais de um mês de vida e apresentava sinais de desidratação, além de ferimentos, escoriações e infecções por fungos.
Após o resgate, a onça foi encaminhada ao Cetas de Boa Vista, onde passou por uma série de exames, incluindo análises de sangue, radiografias e avaliação de parasitas, além de receber tratamento veterinário.
Com a recuperação inicial, o animal foi transferido em abril do ano passado para o Cetas de Brasília, que conta com recintos adequados para grandes felinos e equipe especializada. Atualmente, segundo o Ibama, a onça apresenta boas condições de saúde, com peso e força compatíveis com a idade.
““É a primeira vez que utilizamos esse programa específico para um animal dessa espécie nessa fase da vida”, afirmou Júlio César Montanha, chefe do Cetas de Brasília.”
Segundo ele, o comportamento do animal indica boas perspectivas de retorno ao ambiente natural.
““Hoje ela já apresenta comportamento selvagem, caça presas e evita o contato com humanos, o que é essencial para a reintrodução na natureza”, explicou.”
Durante o período de reabilitação, a onça também passou por atividades de enriquecimento ambiental, estimulando comportamentos naturais, como movimentação, caça e exploração do espaço. Um ano após o resgate, o animal ganhou cerca de 40 quilos e já apresenta porte compatível com o desenvolvimento esperado para a espécie.
No Instituto Nex, a onça passará por uma nova etapa do processo em um recinto maior, instalado em área de mata e com maior isolamento. A expectativa é que ela permaneça no local por um período entre seis e oito meses.
Segundo os responsáveis pelo acompanhamento do animal, o ambiente mais amplo permitirá observar com maior precisão o comportamento natural do felino e avaliar sua autonomia para sobreviver sem intervenção humana. Caso os resultados sejam positivos, a previsão é que a onça-pintada seja solta futuramente em seu habitat natural, no bioma amazônico.

