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Operação da PF prende vereadores no Ceará por financiamento ilícito de campanhas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Polícia Federal prendeu cinco vereadores de Morada Nova, no Ceará, nesta quinta-feira (12), durante a ‘Operação Traditori’. A operação teve início após um inquérito da Polícia Civil sobre tráfico de drogas identificar transações financeiras da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) para campanhas eleitorais do município em 2024.

A operação, realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco-CE), cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão. Os vereadores foram afastados de suas funções públicas.

Os mandados foram executados em Fortaleza, Chorozinho, Morada Nova, Limoeiro do Norte, Pedra Branca e na cidade de São Paulo. Os locais incluíram a Câmara Municipal de Morada Nova e endereços residenciais e empresariais dos investigados.

A investigação, que começou em 2024, levou à prisão de cerca de 21 alvos da facção em 2025, incluindo o responsável financeiro na região. Os investigadores descobriram doações da facção para campanhas eleitorais de 2024 ao analisar as movimentações financeiras.

A Polícia Federal detalhou que a investigação revelou um esquema criminoso vinculado à facção, responsável pela movimentação e ocultação de recursos ilícitos, usados para financiar campanhas eleitorais, evidenciando a infiltração do crime organizado na esfera pública.

“”A investigação revelou a existência de um complexo esquema criminoso, vinculado a uma facção responsável pela movimentação e ocultação de recursos de origem ilícita, posteriormente utilizados para financiar campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, com clara infiltração do crime organizado na esfera pública”, afirmou a PF.”

Os investigados são suspeitos de lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas e crimes eleitorais. A Justiça Eleitoral determinou o sequestro e bloqueio de bens dos envolvidos para interromper o fluxo financeiro da organização criminosa.

A Prefeitura de Morada Nova informou que não é alvo da investigação e não possui envolvimento com os fatos apurados.

Entre os vereadores presos estão Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT), presidente da Câmara, e outros quatro vereadores. O ex-vereador José Weder também é alvo de medidas de busca e apreensão, mas não foi preso.

Hilmar Sérgio manifestou surpresa com a decisão judicial e afirmou não ter vínculos com organizações criminosas. A defesa do vereador licenciado Júnior do Dedé também não se manifestou, pois ainda não teve acesso aos autos do processo.

A Câmara Municipal suspendeu suas atividades após as prisões, e a vice-presidente, Jane Martins, informou que a sessão legislativa foi encerrada por falta de quórum.

Além dos vereadores, Marco Antônio de Araújo Bica Júnior, superintendente da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), também está entre os investigados. Ele não foi preso, mas anunciou que irá se afastar do cargo para garantir a tranquilidade das investigações.

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