Policiais civis da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) deflagraram nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, uma nova etapa da Operação Rastreio. A ação visa um grupo criminoso suspeito de fraudes bancárias utilizando celulares furtados e roubados.
Os mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em diversas localidades, incluindo o Centro do Rio, os bairros de Oswaldo Cruz, Penha, Cachambi, Maria da Graça, Engenho Novo, Ramos, Brás de Pina e Vila Valqueire, além dos municípios de São João de Meriti e Belford Roxo. Até o momento, uma pessoa foi presa e quatro foram conduzidas à delegacia.
A investigação teve início em maio de 2025, quando uma quadrilha dedicada ao roubo e receptação de celulares foi desmantelada, resultando em 16 prisões e mais de 200 aparelhos apreendidos e periciados. Durante as diligências, os agentes identificaram que a subtração desses celulares alimentava um sofisticado esquema criminoso de fraude bancária.
A Polícia Civil informou que os criminosos inicialmente adquiriam os aparelhos produtos de crime no Mercado Popular da Uruguaiana, no Centro do Rio. Em seguida, eles violavam os dispositivos para acessar aplicativos financeiros das vítimas, realizando transferências de dinheiro para contas-correntes abertas de forma fraudulenta.
Essas contas eram criadas com o uso de documentos falsos ou em nome de pessoas em situação de vulnerabilidade social, que eram aliciadas para atuar como ‘laranjas’ no esquema. Os criminosos contavam com o auxílio direto de funcionários de casas lotéricas para evitar o rastreio dos valores desviados, que eram enviados para contas vinculadas às franquias e sacados em espécie logo em seguida.
Segundo a corporação, os funcionários ignoravam procedimentos de segurança determinados pela Caixa Econômica Federal, facilitando os saques. Dessa forma, o dinheiro era rapidamente convertido em papel-moeda, dificultando o rastreamento do fluxo financeiro.
A investigação continuará para avançar na identificação de toda a estrutura de comando da organização. A Operação Rastreio é considerada a maior iniciativa do estado do Rio de Janeiro para combater o roubo de celulares, com mais de 13 mil dispositivos recuperados, dos quais 6 mil foram devolvidos aos donos. Até o momento, ao menos 850 criminosos foram presos, de ladrões a receptores.
Em dezembro de 2025, uma reportagem revelou um esquema de adoção de antenas falsas com capacidade de emitir suas próprias radiofrequências, permitindo que celulares próximos operassem temporariamente, o que possibilitava aos criminosos disparar mensagens ou ligações a desavisados.


