A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, cairá em 20 de março no Brasil, mas a expectativa de preços mais baixos não deve se concretizar devido a dificuldades regulatórias e industriais.
A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, planeja produzir suas canetas em Minas Gerais, enquanto avalia recorrer da decisão judicial que negou a extensão de sua patente. A farmacêutica pode levar a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF) após derrotas no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Especialistas consideram improvável uma vitória da Novo Nordisk, pois isso poderia afetar toda a legislação de patentes do país. A situação pode resultar em concorrência limitada entre empresas brasileiras, mantendo os preços próximos aos atuais.
A Anvisa ainda não autorizou a produção da semaglutida no Brasil, com 14 pedidos em avaliação. A previsão é que as aprovações comecem nas próximas semanas, mas a falta de regulação pode atrasar os lançamentos. A EMS, maior farmacêutica do país, espera iniciar as vendas no segundo semestre, com canetas chegando às farmácias três meses após a obtenção do registro.
Outro fator que pode dificultar a chegada de um Ozempic mais barato é que as canetas brasileiras não serão genéricas, o que impõe um desconto menor de 20% em relação ao medicamento de referência. As versões brasileiras poderão ser vendidas a partir de R$ 1.039,76, considerando que o Ozempic atualmente custa R$ 1.299,70.
A Novo Nordisk pode oferecer descontos maiores após a queda da patente, enquanto as farmacêuticas brasileiras também poderão ajustar seus preços. Um estudo do Itaú BBA estima que a queda de preços poderá ser de 50% em cinco anos, mas, inicialmente, não deve ultrapassar 30%.
A dificuldade de produzir as canetas emagrecedoras, que exige investimentos bilionários e rigorosos padrões de qualidade, é outro fator que pode limitar a redução de preços. A EMS investiu R$ 1,2 bilhão em sua planta em Hortolândia, enquanto a Novo Nordisk está construindo uma fábrica em Minas Gerais com investimento de R$ 6,4 bilhões.


