A prisão de um ex-secretário do governo estadual e, dois dias depois, a detenção de um ex-secretário municipal e vereador do Rio intensificaram o embate político entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o governador Cláudio Castro (PL). Ambos se preparam para as eleições deste ano, com Paes articulando sua candidatura ao governo e Castro buscando uma vaga no Senado.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investiga supostas irregularidades na campanha de 2022, com o julgamento interrompido na terça-feira (10) após o ministro Nunes Marques pedir vistas, com 2 votos a 0 a favor da cassação e inelegibilidade de Castro.
No dia 9 de março, uma operação da Polícia Federal prendeu o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena, investigado por suspeita de integrar um grupo que vendia influência na administração pública para favorecer o tráfico internacional de drogas. Após a prisão, Paes afirmou nas redes sociais que havia “perdido a conta” de quantos integrantes do governo estadual foram presos por ligação com o crime organizado.
Em um vídeo publicado no X, Paes ironizou adversários políticos, afirmando que alguns que se apresentam como duros no combate ao crime seriam, na prática, “tchutchucas do Comando Vermelho”. Ele levantou questões sobre a relação de autoridades com o crime organizado.
No dia 11 de março, uma operação da Polícia Civil do Rio prendeu o vereador Salvino Oliveira (PSD), que já foi secretário municipal da Juventude na gestão de Paes. A prisão ocorreu durante a operação Contenção Red Legacy, e segundo as investigações, o vereador seria um dos principais articuladores políticos ligados ao Comando Vermelho.
Salvino teria negociado com o traficante Edgard Alves Andrade, conhecido como Doca, autorização para fazer campanha eleitoral em 2024 em áreas dominadas pela facção, incluindo a Cidade de Deus. Ao ser preso, o vereador alegou ser vítima de uma guerra política e negou qualquer ligação com o tráfico.
Um dia antes da prisão, Salvino discursou na Câmara Municipal defendendo a punição de políticos envolvidos em escândalos e criticou a prisão de secretários e ex-secretários do governo estadual.
Após a prisão do vereador, o governador Cláudio Castro se manifestou nas redes sociais, criticando a gestão municipal. Ele afirmou que a Polícia Civil havia prendendo “o braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio” e que o parlamentar trabalhava “para bandido e não para o povo”. Castro também declarou que organizações criminosas tentam se infiltrar na estrutura da prefeitura há décadas.
Eduardo Paes respondeu em vídeo, afirmando que, se as suspeitas forem confirmadas, ele defenderá punição. “Quero dizer aqui que se ficar comprovado qualquer envolvimento do vereador ou de quem quer que seja, eu vou ser o primeiro a cobrar punição e exigir que a Justiça seja feita”, disse.
O prefeito também criticou o uso político das forças de segurança, apontando isso como um dos fatores da crise na segurança pública do estado. Ele mencionou a recente prisão de um ex-secretário estadual e afirmou que aliados do governo do estado já foram alvo de investigações por ligação com o crime organizado.
Paes declarou que o governador é omisso diante dessas situações, mencionando casos de secretários envolvidos com o tráfico e a falta de resposta do governador. “Já teve secretário negociando com traficante em presídio federal. Já teve secretário entregando operação contra o crime. Já teve secretário preso por conexões com bicheiros. E diante de tudo isso, alguém aqui ouviu alguma palavra do governador Cláudio Castro?”, questionou.

