Os parlamentares da União Europeia votarão na quinta-feira, dia 19 de março de 2026, a legislação para aprovar partes do acordo comercial entre a UE e os Estados Unidos. A votação ocorre após duas suspensões dos trabalhos, motivadas pela falta de confiança no cumprimento do acordo por parte dos EUA.
O Parlamento Europeu discute propostas para eliminar as taxas de importação da UE sobre produtos industriais dos EUA e para melhorar o acesso aos produtos agrícolas norte-americanos. Essas medidas são fundamentais para o acordo firmado na Escócia em julho do ano anterior. Além disso, a continuidade das taxas zero para lagostas dos EUA, acordadas com o presidente Donald Trump em 2020, também está em pauta.
As propostas precisam ser aprovadas tanto pelo Parlamento quanto pelos governos da União Europeia. Um pequeno grupo de parlamentares decidiu, na terça-feira, dia 17, avançar para a votação pelo comitê de comércio do Parlamento, um passo necessário para a aprovação do acordo, conforme afirmaram parlamentares e autoridades da UE.
Embora muitos parlamentares considerem o acordo comercial desequilibrado, com a UE reduzindo a maioria das taxas de importação enquanto os EUA mantêm uma taxa ampla de 15%, eles estavam dispostos a aceitá-lo com condições. Essas condições incluem uma cláusula de caducidade de 18 meses e medidas para responder a possíveis aumentos nas importações dos EUA.
Recentemente, os parlamentares adicionaram uma emenda para introduzir uma “cláusula de ativação”, que condiciona as reduções das tarifas de importação da UE ao cumprimento das obrigações por parte de Washington no acordo. As autoridades da UE afirmaram que essa emenda ajudou a romper o impasse.
Após a votação dos parlamentares, representantes do Parlamento Europeu e dos governos da UE precisarão negociar um texto comum, o que significa que a legislação não será aprovada antes de abril. O comitê de comércio já havia suspendido uma votação em janeiro em protesto contra as exigências de Trump sobre a Groenlândia e as ameaças de tarifas aos aliados europeus. Uma votação em fevereiro também foi suspensa devido à imposição de uma sobretaxa de importação de 10% por Washington, que aumentou a taxa geral devida em algumas exportações da UE para os Estados Unidos.


