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Participante perde R$ 300 mil em pergunta sobre livros proibidos no Domingão

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O engenheiro Luiz Cordovil, do município de Tefé (AM), participou do quadro “Quem Quer Ser Um Milionário” no Domingão com Huck e saiu com R$ 150 mil. Ele deixou para trás uma pergunta que valia R$ 300 mil, relacionada a livros proibidos durante a ditadura argentina.

A questão apresentada no palco foi: “Qual destes clássicos da literatura mundial a ditadura militar argentina proibiu?”. As alternativas eram: a) “Dom Quixote”; b) “A Montanha Mágica”; c) “Guerra e Paz” e d) “O Pequeno Príncipe”. A resposta correta, revelada posteriormente, foi a letra d) “O Pequeno Príncipe”.

A escolha surpreendeu muitos, pois a obra de Antoine de Saint-Exupéry é frequentemente associada a uma leitura suave sobre amizade e infância, sendo muito presente em escolas e listas de leitura obrigatória. Publicado em 1943, o livro se tornaria um dos mais traduzidos do mundo.

De acordo com o canal de Youtube Clube de Literatura Clássica, “O Pequeno Príncipe” é considerado um clássico por abordar, em linguagem simples, temas como “o valor das amizades, o poder dos laços humanos e a importância de olhar para o que tem dentro da gente”. A narrativa conta a história de um aviador que cai no deserto e encontra um menino que narra suas viagens por planetas habitados por personagens simbólicos.

Na Argentina, durante a ditadura militar instalada em 1976, essa narrativa foi vista de forma diferente. Uma reportagem do jornal Clarín, publicada em 5 de março, menciona “O Pequeno Príncipe” entre os livros e autores que foram alvo de censura entre 1976 e 1983. A obra foi retirada de bibliotecas e vetada em escolas, sendo considerada inconveniente e até “subversiva” para crianças e adolescentes.

O contraste entre a imagem de livro “inocente” e sua presença em listas de censura ilustra como a literatura infantil pode ser alvo de regimes autoritários. O livro, que convida à imaginação e ao questionamento, se tornou parte de um conjunto de obras censuradas.

A biografia de Saint-Exupéry também enriquece essa leitura. Ele escreveu “O Pequeno Príncipe” no exílio, nos Estados Unidos, enquanto a França estava ocupada pelos nazistas. Segundo o Clube de Literatura Clássica, o livro representa um “grito de esperança” em meio à devastação da guerra, ressaltando valores como solidariedade, amizade e amor.

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