O Partido Novo apresentou uma denúncia de quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por não colocar em votação os pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A ação foi encaminhada ao Conselho de Ética do Senado na última segunda-feira, 9 de março de 2026.
A denúncia, assinada pelo presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, acusa Alcolumbre de descumprir suas prerrogativas como chefe do Senado e do Congresso Nacional. O partido afirma que ele utiliza “o poder de agenda e de gestão institucional de forma omissiva e seletiva”.
Segundo a denúncia, Alcolumbre se recusa a colocar em votação “dezenas de pedidos” de impeachment contra Moraes, o que impediria o Poder Legislativo de fiscalizar os outros Poderes e configuraria um “bloqueio institucional”. Em razão dessa conduta, o Novo exige a instauração de um processo no Conselho de Ética que pode levar ao afastamento de Alcolumbre da presidência do Senado e, em última instância, à cassação do mandato do senador.
““É um silêncio ensurdecedor injusto que acontece nesta Casa. Eu espero que, a partir dessa representação que nós faremos no Conselho de Ética, outros partidos também entrem nessa”, declarou o senador Eduardo Girão (Novo-CE).”
Além das ações contra o ministro do STF, o Novo argumenta que Alcolumbre também ignora pedidos de instauração da CPMI do Banco Master, que busca investigar autoridades ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso em São Paulo na quarta-feira passada e atualmente detido em Brasília. O requerimento enviado por Girão em novembro de 2025 é acompanhado por outro grupo, liderado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que também se movimenta para exigir a abertura de uma comissão de inquérito.
Na mesma segunda-feira, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), viajou a Brasília para apresentar um novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. “Dois presidentes da República já foram derrubados, mas nunca um ministro do Supremo”, publicou Zema em suas redes sociais.
O novo pedido de impedimento de Moraes tem como base desdobramentos recentes do Caso Master, que insinuam o envolvimento entre o magistrado e Daniel Vorcaro. O documento menciona um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o banco e a esposa de Moraes, Viviane Barci, além de mensagens encontradas pela Polícia Federal que indicam reuniões entre o magistrado e o banqueiro, onde teriam discutido bloqueio de valores após a prisão de Vorcaro.

