O Brasil poderia crescer até 5% ao ano por uma década se as contas públicas estivessem em ordem, segundo Paulo Guedes, ex-ministro da Economia. Ele afirmou que o país esteve próximo de deslanchar no fim do governo Bolsonaro, com todos os ingredientes necessários disponíveis.
Em 2022, o Brasil superou os impactos da pandemia de covid-19, apresentando um superávit primário de R$ 54 bilhões, equivalente a 0,6% do produto interno bruto, o primeiro em oito anos. A maioria dos governos estaduais também estava no azul, e as estatais acumulavam um superávit de R$ 180 bilhões.
“Se ganhássemos a eleição, o Banco Central teria que baixar os juros de 2 a 2,5 pontos percentuais por reunião”, disse Guedes durante o evento Advance, promovido pela Farmi Capital em São Paulo, na sexta-feira, 6 de março de 2026.
Em dezembro de 2022, a taxa Selic estava em 13,75% para conter uma inflação superior a 5%. O último boletim Focus do Banco Central projetava uma inflação de 5,31% para 2023, antecipando que o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, abriria os cofres, seguindo o hábito de gastar mais do que arrecada.
Guedes argumentou que a reeleição de Jair Bolsonaro poderia reduzir as expectativas de inflação para cerca de 3%, o que forçaria o Banco Central a acelerar os cortes na taxa de juros. Ele destacou que, naquele momento, 2023 começava com um “crescimento estrutural” do PIB herdado de 2022, em torno de 3%. “O corte da Selic acrescentaria outros 2% de crescimento”, explicou.
“Com isso, o Brasil poderia crescer 5% por dez anos seguidos, e esse era o caminho da prosperidade em que a gente já estava”, completou Guedes. Ele também criticou a política fiscal de Lula, comparando o desempenho do governo Bolsonaro com o do petista.
Guedes lembrou que, durante sua gestão, a dívida pública alcançou 80% do PIB devido à pandemia, mas recuou para 70% do PIB no fim do mandato de Bolsonaro. “Voltamos a um resultado fiscal de pandemia, sem pandemia”, disse. “É um feito extraordinário.”
Embora tenha evitado se aprofundar sobre a eleição deste ano, Guedes expressou confiança de que a aliança entre conservadores e liberais se repetirá, com chances concretas de vitória. Ele comparou o cenário brasileiro ao do Chile, onde José Antonio Kast foi eleito, marcando uma guinada à direita após o governo de Gabriel Boric.
Guedes também mencionou a eleição de Javier Milei na Argentina, observando que, embora Lula concentre os votos da esquerda no primeiro turno, os eleitores de direita podem se unir em torno do candidato que passar para o segundo turno contra o petista. “Temos uns três candidatos de direita que podem comandar algo assim.”

