A degradação de pastagens em pequenas propriedades rurais atinge 2,6 milhões de hectares em Mato Grosso e 2,7 milhões de hectares no Pará, conforme levantamento da consultoria Agroicone. O estudo considera imóveis de até quatro módulos fiscais registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR).
No Mato Grosso, a área total de pastagens degradadas é de 10,1 milhões de hectares, distribuídos em 152,7 mil registros no CAR. Entre as propriedades analisadas, cerca de 103,3 mil têm pelo menos um hectare de pasto, e a degradação corresponde a 2,6 milhões de hectares, ou 25,3% do total.
No Pará, o levantamento aponta 6,6 milhões de hectares de pastagens degradadas em 276,7 mil registros do CAR. Dentro do grupo de imóveis de menor porte, a área degradada soma 2,7 milhões de hectares, representando 40,7% do total.
““Quando a análise inclui apenas o solo, ela mostra o tamanho do problema. Quando incorpora as condições de renda, educação e infraestrutura, começa a revelar possíveis causas. Isso muda a forma de olhar para a degradação”, afirmou a pesquisadora Leila Harfuch.”
A pesquisa indica que as condições socioeconômicas dos produtores impactam diretamente a adoção de práticas de recuperação de pastagens. O pesquisador Lauro Vicari destacou que “a degradação não pode ser explicada só por manejo inadequado”, apontando limitações estruturais como causas profundas.
O estudo utilizou o IDR-CAR, ferramenta que integra dados ambientais e socioeconômicos a partir do CAR, permitindo uma análise do contexto territorial da degradação das pastagens.
Dados do IBGE mostram que, em Mato Grosso, apenas 15,9% dos produtores familiares têm acesso a crédito rural e 12,5% receberam orientação técnica, segundo o Censo Agropecuário de 2017. No Pará, os números são ainda menores: 6,1% têm acesso a crédito e 4,7% receberam assistência técnica.
““Existe um conjunto de soluções já consolidadas para a recuperação de pastagens. O desafio é que elas não chegam de forma igual a todos os produtores, porque as condições de partida são muito diferentes”, afirmou o pesquisador Gustavo Lobo.”
A recuperação de pastagens é considerada uma das principais estratégias de mitigação de emissões no agro brasileiro e é prioridade no Plano ABC+, que visa ampliar práticas sustentáveis no setor.


