Uma pesquisa global do Instituto Ipsos, divulgada nesta sexta-feira (6), revela que quase metade dos brasileiros acredita que mulheres são “naturalmente melhores” para cuidar de crianças do que homens. O levantamento, realizado em comemoração ao Dia Internacional da Mulher 2026, mostra que 49% dos entrevistados no Brasil concordam com essa afirmação, um número próximo à média de 51% dos 29 países pesquisados.
A pesquisa também aponta que a ideia de que o cuidado infantil é uma responsabilidade feminina é mais forte em países como Indonésia, Tailândia, Turquia e África do Sul. Em contrapartida, França, Coreia do Sul, Espanha e Alemanha apresentam os maiores índices de discordância em relação a essa crença.
Especialistas afirmam que esses dados evidenciam a persistência de estereótipos de gênero que ainda influenciam a divisão de tarefas, mesmo em um contexto onde há um discurso favorável à igualdade. No Brasil, 63% dos entrevistados acreditam que o cuidado das crianças deve ser uma responsabilidade compartilhada entre homens e mulheres, abaixo da média global de 73%.
Quando se trata de tarefas domésticas em geral, como limpar a casa e cozinhar, 66% dos brasileiros defendem uma divisão igualitária, enquanto a média entre os 29 países é de 73%. Priscilla Branco, diretora de reputação corporativa e de assuntos públicos da Ipsos Brasil, destaca que o estudo revela a continuidade de estereótipos amplamente discutidos na sociedade.
““Quase metade da população ainda acredita que as mulheres são naturalmente melhores em cuidar de crianças e essa visão ainda é compactuada por grande parcela da sociedade,””
afirma Priscilla. Ela observa que, apesar de 63% dos entrevistados defenderem que o cuidado deve ser compartilhado, a crença na superioridade feminina na criação ainda persiste.
A diretora também menciona que 64% dos brasileiros acreditam que empresas e governos funcionariam melhor com mais mulheres em posições de liderança. No entanto, 52% da população considera que os direitos iguais já avançaram o suficiente, um aumento de 10 pontos percentuais desde 2019, sugerindo um “teto” imaginário na evolução social.
““Parece que, em algumas áreas, o Brasil estagnou e, em certos pontos, até retrocedeu no que diz respeito aos direitos entre homens e mulheres,””
completa Priscilla. Ela ressalta que cresce a ideia equivocada de que a busca pela igualdade feminina resulta em discriminação contra os homens, uma crença que atinge 43% da população.
Priscilla conclui que a promoção da igualdade entre homens e mulheres deve ser vista como um benefício para toda a sociedade, e não como uma disputa. Ela enfatiza que a falta de sintonia entre os gêneros, onde a maioria dos homens acredita que o equilíbrio já foi alcançado, enquanto as mulheres têm uma visão diferente, cria distâncias em temas fundamentais, dificultando o avanço de uma agenda unificada de direitos.
““Há uma clara simetria de percepção entre homens e mulheres. Dessa forma, vai se criando ou se ampliando o abismo em relação a tantos outros temas,””
finaliza Priscilla.

