Pesquisa analisa impacto de críticas de Ratinho a Erika Hilton nas redes sociais

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Um relatório do Instituto Democracia em Xeque mapeou o impacto da discussão nas redes sociais envolvendo o apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, e a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O debate começou na semana passada, quando Ratinho fez comentários transfóbicos sobre a eleição de Hilton para presidir a Comissão da Mulher da Câmara.

De acordo com o levantamento, realizado com a ferramenta DataLake, foram registradas 956 mil postagens sobre o tema nos últimos sete dias, gerando 15,6 milhões de interações nas redes sociais. Os principais picos de publicações ocorreram entre 11 e 13 de março. As hashtags #ProgramaDoRatinho e #SBT foram mencionadas em 1.259 e 682 publicações, respectivamente, enquanto #ErikaHilton e #ErikaMeRepresenta apareceram em 657 e 550 postagens.

Quando analisados os perfis que publicaram sobre o assunto, observou-se um forte predomínio de perfis alinhados à direita, com cerca de 1,9 mil publicações. A esquerda ficou em segundo lugar, com 962 posts, enquanto a imprensa e o centro tiveram 422 e 393 publicações, respectivamente. Esse padrão indica que a polêmica foi mais intensamente apropriada por perfis da direita, que ampliaram o tema nas redes.

O mesmo padrão se repete nas interações, onde a direita concentrou cerca de 7 milhões, superando a esquerda, que teve 4,2 milhões. A esquerda, no entanto, demonstrou apoio à deputada através da campanha #ErikaMeRepresenta, criticando Ratinho por seu histórico polêmico e reavivando o debate sobre violência de gênero e feminicídio.

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A extrema-direita, por sua vez, utilizou a discussão para disseminar narrativas conservadoras e impulsionar uma agenda anti-woke. Apesar de muitos reconhecermos a luta de mulheres trans como legítima, as publicações frequentemente diferenciavam entre “mulheres biológicas” e mulheres trans, questionando a representatividade de Erika Hilton na Comissão.

““Perfis como o de Lucas Pavanato, um dos mais engajados no período com 954 mil interações, lideraram uma ofensiva que tenta enquadrar a presença de mulheres trans em espaços de poder como uma ameaça aos direitos das ‘mulheres biológicas’”, explicou Andressa Costa, pesquisadora do Instituto Democracia em Xeque.”

O Instituto Democracia em Xeque observou 2.142 perfis no Facebook, 2.448 no Instagram, 725 canais no YouTube, 1.259 perfis no X e 402 no TikTok para compor sua análise.

No dia da eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão da Mulher, Ratinho criticou a deputada, afirmando que ela não poderia ser considerada mulher por ser uma pessoa trans. Ele declarou: “Ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata [por] três, quatro dias.” Ratinho também afirmou que não tinha nada contra pessoas trans, mas invalidou a identidade de gênero da parlamentar.

Em nota, o SBT repudiou as declarações de Ratinho, afirmando que não representam a opinião da emissora e que estão sendo analisadas pela direção. A deputada Erika Hilton acionou o Ministério Público contra Ratinho e o SBT, que se posicionou a favor da condenação judicial, com a imposição de uma multa de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.

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Desde 2019, a transfobia é considerada crime no Brasil, equiparada ao crime de racismo pelo STF, com penas que variam de multa a até três anos de reclusão.

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