Uma pesquisa desenvolvida na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente (SP), alerta para o ‘ciclo invisível’ de microplásticos que podem estar presentes nos pulmões e nos rios da região. O estudo foi apresentado no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia (ERS 2025), realizado em Amsterdã, na Holanda, e foi o único de origem brasileira a receber reconhecimento no evento.
A pesquisa, conduzida pelo estudante de medicina Bruno Henrique Couto sob a orientação da professora Renata Calciolari Rossi, investigou os impactos dos microplásticos no sistema respiratório. Renata, que possui mestrado e doutorado em Ciências da Saúde, destacou a relevância do estudo: ‘Isso mostra que a ciência produzida no interior do Brasil tem qualidade e relevância internacional.’
Os microplásticos são fragmentos gerados pela degradação de materiais plásticos maiores, como embalagens e copos descartáveis. Esses resíduos podem contaminar o solo, a água e o ar, criando um ciclo ambiental silencioso. Renata explicou que esses contaminantes emergentes podem provocar inflamação e alterações nos tecidos, incluindo o pulmão.
Os pesquisadores realizaram uma revisão da literatura científica e analisaram 46 estudos sobre os efeitos dos microplásticos em roedores. Os resultados mostraram inflamação pulmonar, hemorragias e alterações estruturais no tecido pulmonar. O poliestireno, presente em muitos produtos do cotidiano, foi o plástico mais frequentemente analisado.
A professora Renata ressaltou a necessidade de ampliar as investigações sobre microplásticos nos rios do interior do Brasil, especialmente na região oeste de São Paulo, onde a presença dessas partículas é cada vez mais comum. Ela sugeriu que os primeiros estudos de campo priorizem áreas urbanas com maior concentração de resíduos plásticos.
A falta de tratamento adequado de esgoto e o descarte irregular de resíduos contribuem para a contaminação dos rios. Renata afirmou que, embora tecnologias de filtração possam ajudar, a prevenção é a melhor solução. Medidas como a redução do uso de plásticos descartáveis e a melhoria na gestão de resíduos são essenciais.
Após o reconhecimento internacional, os pesquisadores planejam desenvolver novos estudos na região de Presidente Prudente, com o objetivo de gerar dados sobre a realidade ambiental do Oeste Paulista. Renata concluiu que a poluição por plásticos é um desafio crescente de saúde pública, exigindo investimento em pesquisa e políticas de redução de resíduos.


