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Saúde

Pesquisa da USP revela que estimulação cognitiva melhora memória em idosos

Amanda Rocha
Última atualização: 16 de março de 2026 13:00
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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Um estudo realizado por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em colaboração com o Departamento de Gerontologia da EACH-USP e o Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento, identificou benefícios significativos de um programa de estimulação cognitiva em idosos escolarizados sem comprometimento cognitivo.

A pesquisa foi publicada em janeiro de 2026 na revista científica International Psychogeriatrics e é reconhecida como o primeiro ensaio clínico randomizado de longa duração sobre estimulação cognitiva realizado no Brasil com idosos saudáveis.

Os resultados mostraram que os participantes do método chamado Supera apresentaram uma redução de 60% nas queixas cognitivas, uma melhora de aproximadamente 45% na memória ao longo de um ano, considerando funções executivas e cognição geral, além de uma queda de 29% nos sintomas depressivos.

““Os resultados indicam impactos positivos amplos na vida dos participantes”, afirmou a gerontóloga Thais Bento, autora principal do estudo e pesquisadora do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.”

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O estudo recrutou 207 pessoas com 60 anos ou mais, que foram distribuídas aleatoriamente em três grupos: um grupo experimental que participou do programa, um grupo controle ativo que recebeu aulas sobre envelhecimento saudável e um grupo controle passivo que não recebeu intervenção. As avaliações ocorreram ao longo de dois anos, aos 6, 12, 18 e 24 meses, permitindo acompanhar a evolução dos resultados.

Os pesquisadores destacam que o desenho do estudo, com metodologia randomizada, controlada e cega, além do acompanhamento por especialistas, confere maior robustez científica aos resultados. Esse tipo de ensaio clínico é considerado padrão-ouro em pesquisas sobre intervenções em saúde.

Além da memória, os resultados indicaram melhorias em habilidades relacionadas às funções executivas, como planejamento, organização, tomada de decisões, estruturação do pensamento e fluidez na comunicação.

Os autores ressaltam que a estimulação cognitiva pode contribuir para a saúde mental, preservação da autonomia e promoção de um envelhecimento mais saudável, funcionando como uma estratégia preventiva não farmacológica.

Pesquisas internacionais reforçam a importância desse tipo de abordagem. Estudos apresentados em fevereiro durante a Alzheimer’s Association International Conference, em um debate sobre a América Latina realizado no Uruguai, indicam que cerca de 45% dos casos de Alzheimer no mundo poderiam ser evitados com a redução de fatores de risco ao longo da vida, com a estimativa na América Latina chegando a 56%.

Os dados reforçam a relevância de programas de prevenção que combinem diferentes estratégias de saúde pública, incluindo a estimulação cognitiva. A publicação do estudo em um periódico internacional de alto impacto amplia a presença do método Supera na literatura científica e ajuda a preencher uma lacuna nas pesquisas nacionais sobre envelhecimento ativo, oferecendo evidências que podem orientar políticas e práticas voltadas à qualidade de vida da população idosa.

TAGGED:Declínio cognitivoDepartamento de Gerontologia da EACH-USPGrupo de Neurologia Cognitiva e do ComportamentoHospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USPidososSão PauloThais Bento
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