Petrobras aponta que Braskem não aproveita sinergias e pode perder oportunidades

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a Braskem pode estar “deixando dinheiro sobre a mesa” ao não aproveitar plenamente as sinergias com a estatal. A declaração foi feita durante uma teleconferência com investidores no dia 6 de março de 2026.

Chambriard explicou que a situação pode mudar com a possível entrada da gestora IG4 no controle da petroquímica, um processo que ainda depende de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A atual estrutura societária limita a integração entre as duas empresas, já que a Petrobras divide o controle da Braskem com a Novonor, que detém a preponderância administrativa por meio de um acordo de acionistas.

De acordo com a executiva, há um acordo entre a Novonor e a IG4, que representa bancos credores da empresa, para uma mudança na estrutura societária da petroquímica. No entanto, essa mudança ainda aguarda análise do Cade. A aprovação era esperada para 16 de fevereiro, mas o prazo não foi cumprido. Chambriard informou que a decisão deve atrasar cerca de um mês.

“Essa é uma etapa absolutamente necessária para que possamos firmar um novo acordo de acionistas com provavelmente a IG4 para lidar de uma melhor forma com as sinergias entre o Sistema Petrobras e a Braskem”, afirmou. A presidente da estatal destacou que a expectativa é que a eventual mudança societária permita maior integração entre as empresas.

“Hoje o que é importante dizer é que nós entendemos que essas sinergias não estão sendo aproveitadas como deviam e, portanto, em última análise, a Braskem deixa dinheiro sobre a mesa ao não aproveitar essas sinergias como a empresa do porte da Petrobras”, disse.

Chambriard também expressou a expectativa de que o processo avance nos próximos dias, permitindo que a Petrobras e o novo sócio negociem um novo acordo de acionistas. “Esperamos que isso esteja solucionado em breve para que possamos finalmente fazer um novo acordo com o novo sócio e maximizar as sinergias entre o Sistema Petrobras e a Braskem”, afirmou.

O diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras, Fernando Melgarejo, informou que a companhia já aprovou internamente a decisão de não exercer o direito de preferência na operação, caso as condições previamente analisadas se confirmem. Ele também mencionou que a Petrobras decidiu não acionar o chamado tag along, que permite ao acionista minoritário vender sua participação nas mesmas condições de uma eventual mudança de controle.

“Dentro dos órgãos de governança aprovamos o não acionamento do direito de preferência. Vamos abrir mão desse direito caso todas as condições que analisamos se apresentem da forma prevista”, afirmou Melgarejo. Ele destacou que a petroquímica continua sendo considerada estratégica para a Petrobras, principalmente pelas possíveis sinergias operacionais entre as duas companhias.

Apesar disso, Melgarejo afirmou que não há, neste momento, discussões sobre eventuais aportes financeiros na Braskem. “Hoje não temos como falar se haverá aporte ou não. Isso não está na mesa. O que vier será analisado pela Petrobras sempre com foco em criar valor para o nosso acionista”, disse. Qualquer decisão dependerá da conclusão do processo societário e da aprovação do Cade. Enquanto isso, permanece em vigor o atual acordo de acionistas entre Petrobras e Novonor.

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