As autoridades marítimas emitiram um alerta para marinheiros se manterem afastados de um petroleiro russo à deriva entre a Itália e Malta, após um suposto ataque de drone que levantou preocupações sobre um possível desastre ambiental.
O navio, identificado como Arctic Metagaz, está danificado e soltando fumaça, apresentando uma grande rachadura em seu lado esquerdo e uma substância transparente nas águas ao redor. Ele transporta cerca de 900 toneladas métricas de óleo diesel e mais de 60.000 toneladas métricas de gás natural liquefeito, conforme informado pelas autoridades italianas.
A embarcação faz parte da chamada “frota fantasma” da Rússia, que consiste em petroleiros antigos que transportam petróleo russo de forma clandestina, apesar das sanções internacionais após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. O Arctic Metagaz, com 277 metros de comprimento, havia saído do porto de Murmansk e estava a caminho do Egito quando foi atacado no dia 3 de março por drones marítimos e aéreos em águas neutras no Mar Mediterrâneo, cerca de 168 milhas náuticas a sudeste de Malta, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Os 30 tripulantes, alguns dos quais sofreram queimaduras, abandonaram o navio após o início de um incêndio e foram resgatados pela Guarda Costeira da Líbia, que os levou para Benghazi. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, classificou o ataque como um “ato de terrorismo” e afirmou que é uma violação do direito internacional.
O governo italiano expressou preocupação com a possibilidade de o navio ser empurrado para perto de seu território devido aos ventos. Em uma reunião especial, ministros italianos recomendaram à primeira-ministra Giorgia Meloni que o navio não atracasse em portos italianos, descrevendo-o como uma “bomba-relógio cheia de gás”. Meloni afirmou que seu governo está em contato constante com as autoridades maltesas e que ambos os países estão monitorando a situação.
No dia 15 de março, o navio estava à deriva a cerca de 20 milhas náuticas da ilha siciliana de Linosa. A responsabilidade pelo navio é do proprietário russo, LLC SMP Techmanagement, mas não houve confirmação de contato com as autoridades italianas ou maltesas. As autoridades maltesas contrataram uma equipe especializada para avaliar se o petroleiro pode ser rebocado ou se deve ser afundado no mar.
O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) alertou sobre as ameaças ambientais que o navio representa, afirmando que um vazamento poderia causar incêndios florestais e poluição significativa. A área onde o navio se encontra abriga diversas espécies marinhas protegidas e é crucial para a biodiversidade do Mediterrâneo.
Após o ataque, a autoridade portuária da Líbia informou erroneamente que o navio havia afundado devido a explosões e incêndios. Autoridades maltesas avistaram o navio dias depois e alertaram a Itália, que emitiu recomendações para que embarcações se mantivessem a pelo menos cinco milhas náuticas de distância do petroleiro.


