Petróleo registra maior alta mensal em mais de 30 anos com aumento de 60%

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O petróleo encerrou o mês de março de 2026 com a maior alta em décadas, impulsionado pela guerra no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota que transporta cerca de um quinto de toda a energia consumida no mundo.

O barril do tipo Brent terminou o período próximo de US$ 118, acumulando uma valorização superior a 60% no mês, um aumento que não era observado desde grandes choques históricos do setor.

A disparada ocorreu após Teerã bloquear o estreito em resposta a ataques realizados por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro, desencadeando uma crise energética global com impactos imediatos sobre a inflação, mercados financeiros e cadeias de abastecimento.

O bloqueio do Estreito de Ormuz retirou do mercado cerca de 300 milhões de barris de petróleo, volume equivalente a quase três dias de consumo mundial. Países do Golfo reduziram drasticamente sua produção, enquanto refinarias na Ásia operam com capacidade limitada diante da escassez.

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Os preços dos derivados também foram afetados: os preços de diesel e querosene de aviação praticamente dobraram desde o início do ano, ampliando o impacto sobre transporte, indústria e alimentos.

Analistas apontam que a magnitude da disrupção supera, em escala, o choque causado pela guerra na Ucrânia em 2022.

A alta do petróleo contaminou os mercados globais ao longo de março. As bolsas registraram forte volatilidade, enquanto investidores passaram a exigir juros mais altos diante da perspectiva de inflação persistente.

Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão, pressionando o custo de vida e ampliando os desafios econômicos para o governo de Donald Trump.

Economistas já falam em risco de estagflação, um cenário de crescimento fraco combinado com inflação elevada, semelhante ao observado após a crise do petróleo nos anos 1970.

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O conflito no Irã segue sem solução clara e com risco de expansão. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que as operações militares podem durar semanas e não descartou uma ampliação da presença americana na região.

Recentes ataques reforçam a instabilidade: um drone iraniano atingiu um petroleiro próximo a Dubai, enquanto rebeldes houthis lançaram mísseis contra Israel, elevando o risco também no Mar Vermelho, rota alternativa para o transporte de petróleo.

Em meio à crise, Donald Trump tem adotado um discurso duro, pressionando aliados a garantir seu próprio abastecimento energético e defendendo maior protagonismo dos EUA no mercado global de energia.

Analistas avaliam que a imprevisibilidade da resposta americana contribui para a volatilidade dos preços e aumenta a incerteza entre investidores.

Medidas emergenciais, como a liberação de reservas estratégicas, tiveram efeito limitado até agora. Projeções de bancos indicam que o petróleo deve permanecer acima de US$ 100 nos próximos meses, com risco de novas altas caso o conflito se prolongue.

Março termina como um marco: o mês em que a guerra no Irã reconfigurou o equilíbrio energético global e reacendeu o temor de uma crise econômica mais ampla.

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