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Petróleo sobe com tensões entre EUA e Irã e alerta para inflação global

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A escalada das tensões no Oriente Médio e a possibilidade de um conflito prolongado entre Estados Unidos e Irã impactaram o mercado internacional de petróleo. Na abertura dos mercados, o preço da commodity disparou quase 20%, refletindo o aumento da percepção de risco geopolítico e temores sobre interrupções na oferta global.

Ao longo da manhã, parte desse movimento foi corrigida, e os contratos passaram a registrar uma alta próxima de 10%. Segundo Pedro Moreira, o mercado começou a projetar um cenário de conflito mais duradouro, levantando preocupações sobre o fluxo global de petróleo.

““O mercado volta a projetar um conflito com uma duração mais longa. Começa a se visualizar a questão da oferta global do petróleo como um todo e a gente vê alguns países se movimentando para começar a usar reservas estratégicas, por isso que o preço do petróleo subiu 20%”,”

afirmou.

Apesar da reação inicial mais forte, Moreira destacou que ainda existem fatores que ajudam a aliviar parte da pressão no curto prazo.

““Importante destacar que ainda tem muitos navios-tanque nos mares, o que ajuda na oferta de petróleo. Agora a gente já vê uma normalização no preço, com a alta mais próxima de 10%”,”

explicou.

Um dos principais pontos de atenção do mercado está no Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde passa uma parcela significativa do petróleo transportado globalmente. Qualquer restrição no fluxo da região pode impactar diretamente a oferta da commodity.

““No Estreito de Ormuz há uma passagem de navios petroleiros e navios-tanque muito menor, e isso impacta diretamente na oferta quando a gente projeta um período maior de tempo”,”

acrescentou.

A alta do petróleo costuma ter efeitos diretos sobre os preços de combustíveis e transporte, o que tende a se espalhar por outros setores da economia. Para Fernando Gonçalves, a elevação da commodity pode gerar alguma pressão inflacionária, embora o efeito isolado dificilmente altere de forma significativa a trajetória da inflação no Brasil.

““A alta do petróleo tende sim a gerar alguma pressão inflacionária, principalmente pelo impacto nos combustíveis e no custo de transporte, que acabam se espalhando pela economia”,”

afirmou.

Segundo Gonçalves, o movimento pode exigir maior cautela do Banco Central do Brasil na condução da política monetária.

““Se a alta do petróleo começar a contaminar outros preços, isso pode reduzir o ritmo de queda dos juros. Mas, por enquanto, vejo mais como um fator de atenção do que uma mudança estrutural no cenário”,”

disse.

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