O mercado de energia está novamente atento ao Oriente Médio, com a expectativa de que a escalada de preços pode ser ainda maior. O barril de petróleo ultrapassou a marca dos US$ 100 e chegou a US$ 116 no último fim de semana, apresentando um aumento superior a 43% na semana para o petróleo bruto e de 35% para o Brent.
O gás natural liquefeito (GNL) também registrou alta, com quase 14%, gerando um alerta especial na Europa, que se tornou mais dependente do combustível do Oriente Médio após reduzir as compras da Rússia devido à guerra na Ucrânia.
A retórica de ambos os lados contribui para o clima de nervosismo. O porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, Ebrahim Zolfaghari, fez um aviso claro: “E se você pode tolerar preços do petróleo acima de US$ 200 por barril, continue este jogo”.
Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou minimizar a situação, afirmando à ABC News que “está tudo bem” e que seria apenas “um pequeno contratempo”.
Enquanto isso, Israel anunciou ter atingido complexos de armazenamento de combustível utilizados pelas forças armadas iranianas em Teerã. O Irã, por sua vez, mencionou cerca de 300 grandes petroleiros e navios parados no Estreito de Ormuz, uma área crucial para o fluxo global de petróleo, o que foi negado pelos EUA.
No Brasil, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia um aumento urgente na mistura obrigatória de biodiesel no diesel, de 15% para 17%, como uma medida para conter uma possível alta nos preços. A avaliação é de que, com a soja em plena safra, o país possui matéria-prima suficiente para aumentar a produção.
Além disso, a escolha de Mojtaba Khamenei, de 56 anos, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã, conhecido por sua linha dura, reforça a percepção de que o conflito pode se prolongar mais do que o mercado gostaria. Quando guerra e petróleo se encontram, os custos costumam ser rápidos.


